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terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Patrimônio consolidado R$4.204Mi



Perdi o Bull Market da bovespa em 2018-2019, isso logo após de eu ter liquidado a minha carteira e aberto a loja. Essa novela vocês já sabem.

Apesar disso, continuei trabalhando como nunca e tocando a loja, tirando ela do prejuízo e tentando rentabilizar ao máximo o imóvel, essa missão foi muito dura e desgastante.

Em 2019 eu troquei de carro, viajei pro exterior, vi a loja melhorando e trabalhei muito em todos os sentidos. Foi um ano incansável.

O patrimônio deu um salto muito bom graças ao fluxo de caixa da loja em 2019, aproximadamente 409k sem contar dezembro, que deve ficar por volta dos 40k, mês curto, fraco e cheio de distrações para todos. Por outro lado, segui trabalhando forte na minha profissão e devo ter faturado por volta de 400k também. Os investimentos financeiros ficaram mais ou menos parados, sendo o destaque a Eztec, minha maior posição (mais de 4000 mil ações) que alavancou bastante essa pequena carteira.

Os dividendos dos investimentos financeiros foram ridículos, menos de mil reais anuais, sendo em 300k o que tenho de ações na bolsa e mais quase 100k na RF, sendo 88k em Debentures Cemig ipca+10%aa, esses debêntures vão render bem, venho segurando eles desde 2016-2017 época que comprei.

Resumindo o ano: perdi o bull market mas aumentei meu patrimônio com o trabalho e a loja. Se eu tiver mais dois anos desse, chego nos R$6 milhões e já poderei pendurar a chuteira, seja no nordeste ou na Europa.

Para 2020 eu espero melhorar bastante os meus aportes em ações, fundos imobiliários e ETFs no exterior. Tudo dando certo, espero ter aportado pelo menos mais uns 800k e ter tocado os R$ 5 milhões em patrimônio em Dezembro/2020, se a loja continuar lucrativa e eu tiver saúde para trabalhar, isso será bem possível.

O que me tirou um pouco do mercado foi o terreno que comprei e agora preciso pagar, foi uma aposta que espero que renda frutos num futuro próximo.

Consegui organizar meus investimentos excluindo os imóveis e ficou assim:



Em azul minhas ações no BR.
Em cinza-azul claro a minha RF no BR.
Em laranja (Outros) são meus ETFs lá fora, sendo CSSXE ações na Europa, o índice Eurostocks-50, CSPXJ ações Austrália, HK, Cingapura e NZ, DAXEX índice da Alemanha e CSUKX índice do Reino Unido.
Em laranja claro são 5 mil dólares na minha conta bancária nos EUA.
Em verde escuro stocks nos EUA, sendo CVS a maior delas e Black Rocks a menor.
Em verde claro o ETF BBSD11 no Brasil, que segue o S&P Dividends Aristocrats Brazil.
E fiis uma merreca em XPOM11, BBRC11 e RNGO11 só para constar.

Desse meu patrimônio consolidado, 3,1Mi está em imóveis, 550k na loja, 521k nos investimentos somados acima e mais algum dinheiro em conta corrente na PF.

Como deu pra ver, agora tenho um bom hedge em imóveis e posso cair de cabeça na bolsa que numa grande baixa meu patrimônio estará bem segurado pelos imóveis, diminuindo a volatilidade e garantindo lucros mensais via loja/aluguéis.

A minha idéia é aportar em todos os meus ativos até Dezembro do ano que vem e depois ir apenas repetindo e rebalanceando a carteira que irei mostrando aqui. Já tenho 35 ações cadastradas e 20 etfs lá fora, fora o ETF de fiis que quero comprar aqui e mais ouro e bitcoin que também farão parte da estratégia pro ano que vem.

É torcer pro dólar continuar baixando e ir fazendo remessas mensais. Ainda tenho 100k faturados em 2019 que só serão pagos em 2020 mas não contabilizei dentro do ano pois sempre faço regime de caixa.

Terminar 2020 com R$5mi em patrimônio vai ser sublime e certamente isso vai me ajudar a terminar 2021 com R$6mi. Vamos torcer e trabalhar para chegar lá.

Esse é o último post para 2019, um excelente ano!

Grande abraço a todos e Feliz Década Nova!

Frugal.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Nossa década ao sol


Revirando meu pc essa semana, pastas antigas de backups, achei fotos de 2010.
Numa delas eu estava com meus amigos na academia, treinando judô, tinha passado pra faixa roxa após empacar mais de 5 anos na verde, se bem que meu nível já era de preta, eu não prossegui pq sabia que o exame de faixa era caro (1 salário mínimo) e a anuidade da federação pra faixa preta tb era de 1 salário mínimo.

Estávamos lá, jovens, felizes, maioria magros, atletas, sem dinheiro algum, mas felizes e saudáveis, vivendo uma vida legal. Eu morava num ap de 2/4, com mobília que comprei usada, exceto a TV e um Xbox que um amigo me trouxe do Paraguay.

A melhor parte da casa era minha cama. Na sala, uma mesa velha, marrom escuro, quadradinha, pra 4 pessoas, mas apenas com duas cadeiras, uma diferente da outra, e um sofá velho pra duas pessoas. Quando me mudei pra esse ap, tinha que esperar meu primeiro salário cair pra poder comprar alguns móveis, pois meu cartão de crédito BB laranja só tinha 200 reais de crédito e eu estava sem dinheiro algum. Comprei uma geladeira pequena, um fogão de 4 bocas do mais barato que tinha, e um monte de pequenas coisas: pratos, copos, duas panelas, frigideira, garfos, facas, abridor de lata e etc. Foi uma época de muito crescimento pessoal e profissional.

Nesse corrente ano de 2010 eu ainda nem tinha 25 anos completos, e estava começando a minha vida profissional no centro-oeste do Brasil, sem nenhum amigo ou familiar na cidade, sem smartfone também. Comprei um carro popular pelado, com muito choro em 12 parcelas iguais e sem entrada, foi meu primeiro carro, ainda fiquei andando de ônibus por lá uns três meses até pegar ele. Nesse ano eu tinha tempo pra fazer academia (musculação, judô e inglês na cultura inglesa), além de ter que trabalhar e estudar muito, uma rotina de mais de 100h por semana. Passou rápido, e sinto muitas saudades. A conta bancária começou a cair uns 1900 reais por mês e mais alguns bicos, eu havia largado minha vida de dar aula particular, até pq mudei de cidade e seria muito difícil.

O dólar deu um vale de barato e chegou a ser negociado a R$1,61. Eu juntei tudo que tinha e mais um pouco e fui pros EUA pela primeira vez, fiquei um mês, depois de ter tirado passaporte e feito aquele visto com entrevista no consulado em Brasília. Foi a tempestade perfeita. Comprei um macbook (que usei por quase 8 anos, relógio, tênis Mizuno - antigo sonho de consumo e um kimono novo Adidas - outro sonho de consumo represado da década anterior) e assim tive as melhores férias da minha vida. Pra um novo recomeço estava perfeito.

Eu morava sozinho, estava solteiro, tinha trabalho, ganhava acho que uns R$5000 mensais e podia fazer as coisas que eu gostava, inclusive jogar vídeo game e ir pras baladas e barzinhos. Eu não fazia muitos planos pro futuro, só vivia o presente e a excitação da nova vida, também não conseguia juntar dinheiro porque nem pensava nisso, tinha uma vaga idéia do que era bolsa de valores e não fazia a menor idéia do que seria independência financeira.

O tempo foi passando e as coisas melhorando, dois anos depois eu estava trocando de carro por um sedã Honda pq comecei a trabalhar em outras cidades e pegar estradas, me senti meio inseguro no popular 2001 sem absolutamente nenhum ítem de segurança, exceto o cinto. Com um novo carro usado, e o apartamento mais habitável, minha vida foi melhorando sensivelmente, além do mais consegui viajar pra Argentina, Rio de Janeiro, Florianopólis e São Paulo. Parece que finalmente eu estava inserido no mundo. E estava mesmo. Me graduei mais uma vez no judô, competi, estava em ótima forma, fui pro avançado no inglês e já pensava em vôos mais altos nos EUA. 2010 foi um ano revolucionário pra mim, assim como 2011. Já em 2012 foi um ano de preparação para o outro futuro que me aguardava e que vocês puderam acompanhar parte dele aqui.

De 2013 pra cá, o tempo voou. Eu tive um apagão profissional lá pelo meio de 2014 com a dissolução de uma sociedade e um novo recomeço, além de um intercâmbio mais demorado nos EUA de aproximadamente cinco meses e um novo retorno ao Brasil (eu pensava em ficar por lá para sempre, de qualquer jeito), mas voltei para me dar uma nova chance e uma nova chance ao Brasil.

Lembrem que as coisas aqui ficavam cada vez mais feias, em 2013 pipocaram os protestos contra a analfabeta terrorista Dilma Roussef, e o futuro era sombrio, a crise vindoura iria vir com certeza, todo dia era escândalo na mídia e todo mundo estava bem preocupado em 2013-2014, já em 2015 a coisa azedou de vez pro país e pro governo federal. Muita gente da minha convivência já falava todo dia em vender tudo e ir pra Portugal, EUA, Espanha, Australia e etc. Eu mesmo estive num grupo de emigrantes pra Australia no whatsapp e já estava me preparando para ir.

Ao mesmo tempo eu estava trabalhando muito, ganhando bem, estudando investimentos e aportando. Aportei na bolsa de 2013-2016, num mercado totalmente de lado e em queda, amarguei -15% em 2015 mesmo investindo em boas empresas e trabalhando feito um louco. O que tive de aumento patrimonial foi meu apartamento simples aqui no norte e o carro era o mesmo. Vale lembrar que TODO o dinheiro e o patrimônio que tenho hoje, fiz na última década, de 2010 pra cá, então foi uma década abençoada para mim, se eu fizer a mesma quantidade de dinheiro na próxima década estaria maravilhoso, então é preciso ser grato com a vida, e também pelo fato de estar com a saúde em dia e a família também.

Desta feita já falei de 2010-2016 aqui, e de lá pra cá está tudo no blog.

Agora o intuito desse post não foi falar de mim, foi perguntar a você leitor:

Como foram os últimos 10 anos da sua vida? Você evoluiu muito em todos os sentidos? Progrediu materialmente, espiritualmente, profissionalmente, nos estudos? Melhorou sua relação com seus amigos, família, filhos, cônjugue, sua comunidade? Se sente incluído onde vive, tem uma relação significativa na sua comunidade? Tem um senso de pertencimento onde está? Ou ainda quer morar em outra cidade ou país? Foi suficientemente feliz nesse tempo, aproveitou a vida, construiu relações verdadeiras ou se isolou cada vez mais?

Faça o seguinte exercício, tente achar uma foto sua de 2010, estamos virando a década, é uma virada importante, entraremos nos anos 20, os mesmos do Grande Gatsby, olhe pra você na sua foto e veja quem você era e o que você se tornou hoje, dez anos depois. Foi uma boa década? Você está grato por essa década? Da mesma forma você envelheceu, não tem mais aquela idade e aquele peso 15kg a menos, e vem as vicissitudes da idade mais avançada. Daqui a 10 anos será a mesma coisa, mais 10 anos nas costas e espero que com o mesmo peso e a mesma disposição.

Falando de mim, eu acho que ainda falta muita coisa pra conquistar, sendo a principal delas poder sair do norte e voltar pra minha cidade no nordeste ou então ir pra Portugal. Eu me sinto bem com a minha família e amigos, mas aqui sou isolado. O nordestino tem uma ligação inexplicável com a terra, somos uma verdadeira nação, talvez por causa do isolamento geográfico e do pouco contato com outras regiões, mas cada dia sinto falta de morar lá, do mar, do surf, dos amigos, da comida, da água quente do mar, do camarão frito, da lagosta assada na manteiga da terra (de garrafa), do meio ambiente e das coisas que sempre quis fazer, como comprar um veleirinho ou um catamarã pequeno tipo hobby cat pra brincar na água, acampar nas falésias ou brincar de descer as dunas com um pedaço de madeira como prancha. Não é nostalgia nem volta ao passado, é uma realidade objetiva.

Com o advento próximo da minha independência financeira nos próximos três anos, esse objetivo vai ficando cada vez mais palpável e os planos já recomeçaram. Já achei um lugar pra morar, pesquisei os prédios, preços, aluguéis, lifestyle da área e admito que é tudo o que eu sempre quis, ainda mais com conforto e tempo para desfrutar. Além do mais, já faz muito tempo que fiz as pazes com a minha cidade natal, pois quando saí de lá estava de saco cheio dela, das pessoas e do meu infortúnio por lá, mas a gente sabe que as cidades não tem culpa pelas nossas vidas e pelas nossas decisões ou pela nossa própria sorte da loteria genética, de nascer bonito, saudável e numa família com alta renda.

Feitas as pazes e com uma boa renda passiva, é uma boa hora de pensar em voltar. Antes que me perguntem se vou continuar trabalhando, provavelmente sim, mas com uma carga horária bem menor e com menos compromissos fixos, e também quero aprender outras coisas como remar, velejar, toar violão e guitarra, melhorar meu inglês ainda mais, e enfim viver, voltar pro judô, pegar a faixa preta, surfar, montar uma banda de rock, ter filhos e ter uma vida menos acelerada e sem muita preocupação em ganhar mais dinheiro ou aumentar o patrimônio, com uma renda passiva de 15-20k mensais eu já estarei muito satisfeito e provavelmente com um pouco de trabalho e novos aportes menores, o principal continuará crescendo. E isso aí tudo dá pra fazer aqui ou em Portugal.

Quando olhar pra trás tente avaliar pelo menos a última década e planejar a próxima, agora já com mais idade e maturidade, ela pode ser bem melhor. Já temos kindle, smartfone, podcasts, muitos livros para baixar e milhares de cursos a distância pra fazer pelo PC, dá pra aprender muita coisa e crescer também. Temos muito mais recursos, mais fontes e tudo num preço bem mais acessível. Basta ter disciplina e trabalhar que dá pra melhorar muito, independentemente de onde você estiver ou qual for sua renda atual ou nível de estudos. A internet é a última fronteira do conhecimento e do trabalho. Tenho certeza que todos os colegas aqui da blogosfera evoluíram bastante em todos os sentidos e os demais leitores também e que nessa próxima década vários irão atingir a independência financeira.

Grande abraço a todos e Feliz Ano Novo!
Frugal

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

ETF Fundos Imobiliários do Banco Inter


E vamos fechando 2019 com uma notícia realmente muito boa.

Se você quer investir ou investe em fundos imobiliários, saiu uma notícia essa semana muito boa. O banco inter criou dois índices passivos sobre os fundos imobiliários no Brasil, um para fiis de tijolo e outro para os fiis de papel.

A idéia é fazer um ETF para cada e seguir passivamente esses índices, na prática ele vai ser vendido como Fundo de Fundos, mas terá gestão passiva, taxa baixa e replicará apenas o índice que segue, além de distribuir os dividendos mensalmente.

Como muitos leitores desse espaço aqui sabem, eu sou fã do John Bogle, e acho muito melhor investir por um ETF passivo do que fazer a carteira. Então já vou adiantando que se esse ETF sair mesmo, vou comprar apenas ele e não mais comprarei nenhum fii isolado. Não acho que valha a pena perder tempo e ficar administrando uma carteira de fiis na base do stock picking e sei que essa discussão vai longe, mas prefiro ficar na média mesmo.






Os índices são o IFI-e (tijolo) e IFI-d (papel).

Tijolo tem uma correlação boa com o ibovespa e papel tem uma correlação boa com o CDI. Lembre-se que fiis de papel são renda fixa praticamente pois são lastreados em dívida.

Consegui falar com uma pessoa de dentro do Inter sobre isso e questionei se iriam entrar os fiis de fundos de fundos no índice de tijolo e a resposta foi categórica: não, de jeito nenhum, o índice já está montado e são 30 fiis individuais e nenhum deles é FoF, o que é ótimo pois não pagaremos taxas extras. Os índices estão refletindo o produto desde 2014.




O IFI-E acima replica os fiis de tijolo.




O IFI-D replica os fiis de papel.

Agora com esses dois instrumentos você pode investir muito mais em paz sem muita concentração. O mercado de fiis no Brasil ainda tem muito a crescer. Segue essas imagens do inter.

Para a minha carteira de investimentos no BR acredito que uma alocação de 15-20% em fiis via este ETF dos fiis de tijolo já estará ótimo.

Não vi ninguém falando sobre isso na blogosfera e resolvi falar para que pelo menos algumas pessoas que se interessam pelo tema soubessem.

A previsão do Banco Inter é lançar esse ETF já agora em Janeiro/2020.

Eu espero esse produto desde 2013.

Se alguém tiver dúvidas ainda, pode falar aí nos comentários.

Boa semana a todos.
Frugal.

sábado, 21 de dezembro de 2019

Minha Holding Frug3.SA Dezembro 2019 R$ 443.000,00 (+3.9%)


Olá amigos, tudo bem?

Provavelmente um dos últimos posts do ano.

Dezembro tá bem complicado por aqui na operação da loja. Tenho trabalhado muito e não vou viajar. Ainda tenho resolvido pendências com CEF, Receita Federal, cartório, DETRAN, e a burocracia do estado brasileiro está me atolando muito, além de ter a preocupação 24h com a loja.

O caso é que muito provavelmente vou ter que fazer um pouco mais de obra já no começo do ano que vem e estou meio chateado com isso, mas não há um mal que não venha para um bem maior,  da mesma forma, infelizmente vou ter que mexer na equipe para Janeiro, as pessoas não sabem trabalhar em equipe e se suportar mutuamente (mais uma vez). Será que é por isso que a vida delas não é uma porcaria?

Se você não entende que trabalhar em equipe faz parte do trabalho, mesmo você sendo muito bom no que você faz ali na sua mesa, você vai cair fora. Viver, conviver e saber trabalhar em equipe são requisitos muito básicos e são apenas o mínimo do mínimo.

É incrível como você ter que ser babá e psicólogo de pessoas supostamente adultas e com mais idade do que você, e principalmente, que dependem daquilo para viver, para colocar arroz na mesa de casa. As pessoas agem sem substrato nenhum, interpretam qualquer coisa da pior forma possível e se atormentam com pensamentos de perseguição, quando não há perseguição alguma, e ainda tentam ficar puxando o tapete uns dos outros em todas as oportunidades.

O setor privado é horrível na maioria das empresas. As pessoas parecem aqueles refugiados brigando pelo saco de arroz quando o soldado da ONU joga pra fora da rampa do avião, não há outra leitura pra se fazer. Não há nenhuma razão para o desespero, o arroz está lá, vai ser jogado o dia todo, vai dar pra todo mundo pegar cinco sacos grandes que nem vão poder carregar para casa, mas eles insistem em se trucidar pelos primeiros dois sacos. Isso é muito cansativo.

Bom, em Janeiro vou contar aqui o que foi que aconteceu. E inclusive eu mesmo posso me dar mal em ter que renovar a equipe, pois treinar outra pessoa requer muito tempo, investimento, dinheiro, perda de eficiência no começo, garantia alguma que vai dar certo ou que a pessoa vai ficar ali mais de quatro meses. Fora todo o gasto em rescisões.

Meus amigos, o empresário, mesmo que pequeno, nunca tem paz. Eu nunca tive. Essa loja nunca me deu paz e tranquilidade, muito pelo contrário, estou começando mesmo a me questionar se vale a pena. O que me deixa mais puto ainda foi o timing de sair da bolsa e montar isso, eu estaria bem melhor se nunca tivesse entrado nisso, e mesmo assim, o que sobra é ameaça e ingratidão. Ainda bem que não dependo disso pra viver e tenho muita pequena de quem depende de um único negócio pra viver e tem que suportar todo tipo de coisa todo dia.

O pior é que os funcionários tendem a achar que o "patrão" não trabalha, apenas porque ele não está lá com a mão na massa, mas não sabem eles que existe todo um trabalho de back office, burocracias, infinitas contas, fiscalizações, aporrinhações do estado, concorrência subindo, emails lidos e respondidos, negociações com todo tipo de prestador de serviço, com franqueadora, com o banco, tempo perdido em aplicativos, skype, whatsapp e etc, muitas vezes para resolver problemas que não existiriam se as pessoas tivessem mais noção do mundo, o tanto de trabalho evitável é enorme, a ineficiência impera.

Outra coisa que não se dão conta é sobre o tal do "Capital Social". Se você leitor ainda não entendeu o que é o capital social, aqui vai uma breve explicação de um leigo em contabilidade:

Se você tem uma frota de 10 caminhões e uma transportadora, além de um prédio avaliado em 2 milhões para ser o escritório e galpão, assumindo que cada caminhão custe 200 mil, vezes 10, você tem 2 milhões em caminhões e 2 milhões na sede, o que dá um capital social de 4 milhões para a empresa e, portanto, a "riqueza do patrão" é de 4 milhões, isso na cabeça de um funcionário, claro. 

Acontece que o patrão não está dormindo em cima desse dinheiro e comendo lagosta toda hora, esse valor são os ativos da empresa, eles servem para gerar riqueza, para TODOS, inclusive os motoristas e pessoal do escritório. Sem os caminhões e o galpão, ninguém ali teria emprego, então a tal da "riqueza" do patrão serve para gerar o seu emprego, é tão simples quanto isto. Por isso que se chama capital social, porque serve o social, os empregados, o governo (impostos) e a própria sociedade que se utiliza dos serviços do caminhão. E lembre que o patrão se ferrou, assumiu riscos (e ainda assume), juntou dinheiro, renunciou a muita coisa na vida dele e trabalhou muito para ter aquilo ali.

Eu já trabalhei para pessoas ricas e nem por isso ficava com raiva ou revoltado. Isso é de uma imbecilidade enorme. Eu trabalho é pelo meu salário e claro, para deixar o tal do patrão mais rico. Se você não entender que pra ficar rico, vai ter que deixar mais tantas outras pessoas ficarem ricas, é porque você ainda não aprendeu quase nada sobre a vida. Não é bondade ou maldade, o mundo funciona assim. Quer ficar rico? Vai ter que deixar outras pessoas enricarem também. Não seja bobo.

Então é isso. Hoje foi dada a lição de RH do dia.


Agora vamos ao restante.

O meu aporte em imóveis continua elevado com a prestação do terreno. Até março/2020 a prestação ficou pesada pq parcelei ela junto com a entrada, então ficou 29k até março. A partir de abril vai ficar "apenas" 20k. Ficou uma cifra muito alta. Eu não sei onde estava com a cabeça quando aceitei isso, me atolei pelos próximos 36 meses quase, porém acredito que o negócio foi muito bom pois o terreno é enorme e foi vendido na metade dos preços de todos os demais na região, fiz uma pesquisa muito extensa e a negociação foi dura.

Eu espero pagar essa prestação apenas com o lucro da loja e espero que a operação continue dando certo. Acredito que esse terreno tem o valor de R$3 milhões, mas comprei apenas por R$1,5 milhão. Todos os outros terrenos a venda também estavam por 1,5 milhão, mas tinham metade desta metragem. Neste terreno dá pra fazer um condomínio de casas ou mesmo subir uns dois prédios, ele tem 7 mil metros quadrados e está numa região de intensa valorização, pois é a última que a cidade tem para crescer e é perto da praia, então é sentar e esperar.

Devido a este aporte no terreno, sobrou pouco para a bolsa, 17k, que foi o que aportei esse mês. Esse post aqui é apenas sobre os ativos financeiros, comprei bradesco e graziottin (bbdc3 e cgra3). São duas empresas que gosto muito. O total somando os dois aportes foi de 46k, um aporte poderoso, sabendo que paguei todas as minhas outras contas e também o cartão de crédito por fora.

O Bastter System tá meio bagunçado hoje então vou postar a carteira pelo gráfico do próprio app "My stocks Portfolio" que é um excelente app, estou gostando muito. Neste app dá pra juntar ações, stocks, ETFs, REITS, fiis e etc, tudo numa carteira só, assim como antes era antigamente no saudoso Google Finance Portfolio. Eu nunca vou perdoar o Google por ter descontinuado aquela ferramenta excelente.

Como podem ver, a alocação está grande em EZtec devido ao fato de eu nunca ter vendido ela e porque ela valorizou quase 100% enquanto eu segurei (isso aconteceu com quase a minha antiga carteira). Aos poucos, todos os meses eu vou adicionando mais ativos e ela acabará se diluindo. Não existe pressa no Buy and Hold, apenas aportes, resiliência, trabalho, paciência, esperança, sorte e fé.


Por hoje é isso pessoal.

Final do ano é bom esquecer bolsa, investimentos e aproveitar a família, o Natal, o Ano Novo e tirar uns dias pra ficar em paz.

Boas Festas a todos e fiquem bem.

Abraço!

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Montando e analisando minha carteira global


Olá amigos,

Ainda estou muito longe de aportar no exterior novamente, mas já comecei meus estudos.

Estou montando uma carteira lá fora e queria mostrar pra vocês.

A base é escolher etfs na lista da ishares UK, de preferência que NÃO paguem dividendos, pois somos taxados em 30% neles, então melhor comprar ETF de acumulação lá fora. Se você quiser algum dinheiro lá de fora, basta vender um pouco da sua carteira e pronto, seu dinheiro vem pra você sem mordida de 30%.

Caminho fácil: SWDA, o mesmo que IWDA, só que IWDA é em U$.

Outro caminho fácil: CSPX (Sp500).

REITS: VNQ (EUA) e VNQI (resto do mundo) - se quiser add reits.

Renda Fixa: Temos bonds corporativos e públicos.

Outros: ETFs de ouro, urânio, água, maconha, energia, petróleo...

Dá pra montar uma carteira bem fácil com uns 5 ETFs lá fora, apenas.

MAS dá pra fazer algo melhor e tentar diversificar sua carteira com ETFs, estudando o valuation e a precificação/mercado dos mesmos, o que acho bem legal, mesmo com o retorno podendo perder do SP500 (e perder feio), mas me sinto mais seguro tentando e diversificando, afinal de contas, cisnes negros existem de vez em quando.

Gosto de pensar na idéia de comprar um ETF da Alemanha, ou UK, ou Suécia, Austrália e por aí vai, já vem diversificado e são países mais estáveis e de moeda forte, ou mesmo da Europa inteira.

ETFs de REITS e bonds corporativos ajudariam a segurar um pouco a carteira, assim como adicionar commodities como ouro e petróleo, embora tudo isso aqui não renda muito e tenha taxas altas, dando uma puxada pra baixo na rentabilidade na carteira.

Enfim, como tudo na vida, vantagens e desvantagens.

Não acho que essa carteira vá bater sozinha o IWDA ou o SP500, e o objetivo nem é esse, o objetivo é fazer algumas compras, alocando em vários lugares de moedas fortes e na medida do possível, comprar mais o que tiver com um valuation mais barato.

Talvez ela possa andar em linha com o SWDA com uma volatilidade menor, é nisso que acredito (mas efetivamente isso não é científico). Investir não é ciência exata, é uma mistura de muitas coisas.

Aqui vai o link para a página da ishares UK onde vocês encontram todos os ETFs e clicando em cada um deles vocês vão ver toda a explicação da alocação, performance, holdings e taxas. Na medida que eu fizer um aporte posso explicar melhor cada um, pensei em começar fazem um aporte de 500 dolares por mes em cada ETF, a seguir.

https://www.ishares.com/uk/individual/en/products/etf-investments#!type=all&view=keyFacts

Eu já postei esse link aqui e espero que quem invista no exterior se familiarize com ele. Sempre eles estão adicionando novos ETFs.

Sobre o racional do estudo, vocês tem que ler um pdf de um papel disponível nesse site:

https://www.starcapital.de/fileadmin/user_upload/files/publikationen/Research_2016-01_Predicting_Stock_Market_Returns_Shiller_CAPE_Keimling.pdf

Esse paper é importante ler com calma. Eu até imprimi.

Baseado nesses estudos, eles chegam a um consenso e publicam nesse link:

https://www.starcapital.de/en/research/stock-market-expectations/

Isso me faz pensar em começar aportando sempre nos lugares com valuations mais baixos, para só depois diversificar em lugar mais caro, mesma estratégia que faço com as ações.

Qual o racional por trás disso:

Diversificar em países, continentes e economias diferentes.
Ter uma volatilidade menor que investindo puramente em SP500 ou no MSCI World Developed que é o SWDA.

Usar um pouco de imóveis (reits) comodities, ouro, bitcoin e petróleo para me proteger de quedas bruscas nas ações a nível global.

Vou estudar outros veículos de investimento como urânio, maconha, água, biotecnologia e o que mais aparecer.

Esses são os ETFs que coloquei na minha lista para comprar:



Na sequência está escrito P/E (o nosso P/L) ou o CAPE-Schiller do ativo em questão, depois o P/B (price/books) que é o nosso famoso P/VPA e em seguida a taxa de administração do ETF.

No final somei tudo e fiz uma média simples pra ver o custo da carteira. A distribuição está praticamente equilibrada entre esses ativos, com um peso um pouco maior para o IWDA, mas a medida que entram outros diminuo um pouco a alocação nele.

Como vocês podem ver, o PE da carteira ficou em 16.6, e o PB em 2,0 e a taxa em 0.22%, um pouco alta, confesso, MAS se vocês forem ver que a minha carteira no Brasil tem taxa praticamente de 0% porque compro as ações diretamente e minha alocação ficará 50% aqui e 50% no exterior, no total mesmo, o meu custo iria cair pra uns 0,11-0,13% o que acho saudável para um plano de longo prazo.

O ativo XOP é um ETF que investe em empresas de petróleo e gás, e tem correlação positiva em 96% com o preço do ouro, e uma correlação inversa negativa com o SP500 de 38%. Achei melhor comprar ele do que apenas o petróleo cru (brent).

O ativo BAR é um ETF de ouro, que replica um ouro físico depositado num cofre em Londres, ele é o de menor taxa de adm que achei.

Nessa carteira que montei a expectativa de retorno gerado ficará entre 6,5-8%aa com uma baixa volatilidade e numa cesta multimoedas e com larga proteção com ativos de correlação negativa com as ações. Todos esses ativos podem ser comprados pela corretora Interactive Brokers.

Todo esse valuation não me custou nem uma hora, e a maioria desses ETFs já conheço há muito tempo, então diferente de ações, dá muito menos trabalho administrar uma carteira de ETFs e com muito menos volatilidade. Vou atualizar essa planilha de 3-3 meses para ver como o mercado está se mexendo, isso vai orientar os aportes.

A bolsa do Brasil hoje corresponde a 1,4% do mercado global. Não dá pra ficar apenas nela. Se você ficar apenas nela, vai perder de investir em excelentes empresas como Google, Apple, Amazon, Nordisk, Alibaba, Tencent, etc... só para exemplificar.

Infelizmente tem algumas coisas que pagam dividendos e serei taxado em 30% neles, mas os yields são bem baixos, de 3% ou menos, na média 1,5%, eles são taxados pela própria corretora e não vão me dar muito trabalho no IR aqui, basta apenas declarar. Antes que alguém pergunte, não precisamos declarar IR em outro país, apenas no Brasil mesmo.

Esse post não é uma recomendação de investimento.

Nunca invista baseado nas escolhas de outra pessoa. Cada pessoa é um mundo e tem necessidades, dinheiro, patrimônio, renda, famílias, sonhos, medos, desejos e intenções diferentes da sua.

Não tente imitar ninguém, leia muito e absorva o que é bom, descarte o que é ruim, fuja dos picaretas.

Estudem e pensem muito antes de comprar qualquer coisa.

Quem não se sentir seguro procure ajuda profissional, de preferência de um profissional gestor de carteiras ou algum que tenha pelo menos um CFP.

Eu apenas mostrei um caminho que pretendo seguir, mas estudando e me aprimorando posso mudar minha estratégia a qualquer hora e tudo feito com calma e parcimônia, aos poucos.

Grande abraço a todos,
Frugal.

domingo, 1 de dezembro de 2019

Fechamento Novembro/2019 R$55.000,00


Olá amigos,

Primeiramente gostaria de agradecer a todas as mensagens e comentários no post anterior. Fiquei surpreendido com a reação de vocês. É muito bom saber que mesmo anonimamente tem gente do bem e que torce por mim, mesmo pela distância de uma tela de pixels. Muito obrigado a todos, de verdade. A vida não precisa ser uma briga interminável com estranhos pela internet.

Apesar de pagar metade do décimo terceiro e ainda uma rescisão na minha folha, o resultado operacional veio muito bom, tive uma redução importante de despesas por um lado e um aumento nas vendas de outro lado. Esse fechamento é o resultado do lucro líquido da loja no mês + parte do imóvel alugado + o meu não-pagamento do aluguel pois o imóvel é próprio.

Algumas vendas de pacotes em Novembro vão impactar bem no resultado de dezembro, assim espero, e pagar a folha + algumas férias + a segunda metade do décimo terceiro vai ser uma verdadeira vitória. Precisei viajar agora no segundo semestre e deixei de ganhar dinheiro na minha profissão e usei o dinheiro da empresa pra pagar um monte de contas da minha PF, incluindo uma prestação de 9k de um terreno (essa acaba em Março/2020) então o financeiro está bem apertado e ainda somo isso à inadimplência dos meus clientes na minha atividade profissional, de certa forma, as coisas se balancearam e se anularam.

Os aportes na bolsa nos próximos quatro meses serão bem fracos pois estou pagando muita prestação e não tenho esperanças de receber dinheiro da área da saúde, as coisas meio que param em Novembro e só voltam no meio de Janeiro, a parte do governo fecha e todo mundo pega férias e não se paga a ninguém. Pra vocês terem uma idéia, a SEFAZ vai fechar dia 10/12 segundo dizem e só abre na segunda semana de Janeiro, ou seja, zero dinheiro pra todos os fornecedores do estado, estando atrasados ou não, é simples assim que o governo age com seus fornecedores de produtos e serviços, o que me ajuda é a parte privada que ajuda um pouco e parte do governo federal que não atrasa.

Estamos entrando no último mês do ano e espero que finalizem vossos anos em paz. É hora de ir pagando as contas e ir colocando as contas no lugar, refazer as reservas e se preparar para o próximo ano. Não vou viajar, nem tirar férias nem nada, vou seguir trabalhando pesado em Dezembro, inclusive Natal e Ano Novo, para poder viajar no Carnaval do ano que vem. Estou meio cansado de viajar, e não queria viajar nem em Janeiro. As passagens estão muito caras, e sempre quando eu viajo, pago passagem e hotel, alugo carro e ainda deixo de ganhar dinheiro, é difícil.

Dezembro pra gente vai ser um mês meio morno, muita gente de férias na loja, alguns dias fechada e o povo se preocupando mais no Natal e no Ano Novo. Estamos meio que no piloto automático. Nunca mais gastei dinheiro com mkt, outdoor, google, facebook e instagram. Acho que nossa loja já está conhecida na cidade e esse dinheiro aí a meu ver não compensou o investimento. Talvez eu faça um pouco de marketing na metade de Janeiro até a metade de Fevereiro e só.

Patrimônio continua crescendo forte pois apesar de eu estar atolado em prestação e conta, tudo é patrimônio, prestação de terreno e maquinário, é bem diferente de prestação de cartão de crédito que nada mais é do que dinheiro no lixo. Quanto maior sua fatura de cartão de crédito, mais dinheiro você está jogando no lixo, essa foi uma das conclusões que cheguei esse ano.

Estou reinvestindo internamente no imóvel, melhorando o ar condicionado, iluminação, fachada, e alguns componentes elétricos, que espero assim meu resultado melhore ano que vem. Também estou trocando minha conta de PF e PJ para o banco inter e espero economizar pelo menos mil reais por mês com isso, além de fazer downgrade em todos os telefones, internet e celulares.

Uma pequena empresa é um organismo vivo, podem acreditar, toda semana ela tem uma necessidade e você tem que atender ou corrigir, a coisa é muito dinâmica e sempre acontece alguma coisa, geralmente uma despesa ou uma melhoria por fazer. Quando comecei eu estava mais tranquilo com os gastos, mas depois que as despesas subiram muito, estou bem mais criterioso.

Por enquanto é isso, esse tipo de post é para registro de fim histórico.
Bom início de Dezembro a todos,

Grande abraço a todos,
Frugal!

terça-feira, 5 de novembro de 2019

A chegada ao quarto milhão de reais (ou quase um milhão de dólares).


Prezados amigos,

Cheguei ao quarto milhão em patrimônio.

Precisamente cheguei em R$ 4.016.000,00 hoje. Contando tudo a preço de custo de aquisição (imóveis, casa da loja e o valor gasto no investimento da loja (500k).

Esse post é longo, tente ler quando tiver calma, atenção, espaço e tempo.

Ainda me lembro de investir na bolsa e alugar todas as minhas ações na mão, coisa pra ganhar cinquenta centavos a dois reais em um dia, mas também me lembro sempre de ir pro shopping a pé (pra economizar o ônibus) e passar a tarde toda com apenas um sorvete casquinha do mcdonalds de R$1 e apenas ficar lá a tarde toda "só olhando" e voltar a pé pra casa.

Acho que não tem um dia que eu não passe sem sonhar com o meu futuro e "minha próxima vida" dentro dessa vida, e sem lembrar do meu passado, e até sentir um pouco de orgulho dele.

A pobreza da minha família e a destruição precoce dela, deixaram marcas indeléveis na minha alma, assim como a saída do meu pai da nossa casa, e dos irmãos cada um para um lado, como alguns sabem, numa família assim, após sua separação o padrão de vida cai muito pra todo mundo, imagina pra quem não poderia perder margem alguma.

O meu pai estudou até a terceira série do primário, no sertão do nordeste, ele é praticamente analfabeto. A minha mãe diz que terminou o segundo grau, mas a mãe dela (a minha avó) sempre disse que ela desistiu no primeiro ano, e a minha mãe não tem um diploma de segundo grau e nem o histórico escolar, ela diz que nunca foi buscar na escola, então eu não sei e ela fica irritada quando eu pergunto. Quase nunca eles trabalharam de carteira assinada. O meu pai quase sempre viveu de bicos, e a minha mãe só trabalhou algum tempo na vida como recepcionista/telefonista, hoje em dia parece que essa profissão de "telefonista" não existe mais. Meu pai teve três filhos com a minha mãe, eu sou o caçula e tenho mais dois irmãos (uma mulher mais velha e o do meio), depois que se separou, meu pai casou rapidamente e já tinha um filho com a mulher, depois teve mais dois com ela (totalizando seis filhos). A minha mãe, pelo que parece, não vai conseguir se aposentar nem pelo INSS, eu não sei bem essa parte, mas o meu irmão que entende mais, disse que ela perdeu um monte de papel e pelo tempo que falta lá, não dá tão cedo, não nessa vida.

Não diria que minha infância foi infeliz, ela foi feliz até um certo ponto, mas a partir de uns 8-9 anos quando a gente compreende melhor o mundo e começa a querer algumas coisas e passar necessidades reais, ficamos limitados pelas nossas circunstâncias.

Tudo que eu queria era inacessível. Tudo, até o básico era inacessível. Minha casa chegou a ter água e luz cortadas várias vezes, dezenas de vezes. A gente puxava um fio da casa de um vizinho e ligava uma luz de 40W no teto pendurada. Eu queria mandar uma carta pro meu pai (sim, carta) e penava pra comprar um sêlo nos Correios. A gente ligava do orelhão de ficha, trocava duas palavras ou três e acabava a ficha e consequentemente a ligação. A próxima ligação era com uns 15 dias, ele tinha se mudado pra outro estado do país. A gente nunca teve telefone fixo em casa, depois da ficha passamos pro cartão telefônico, e basicamente tinha um orelhão para metade do bairro, eu cheguei a pegar fila pra falar do orelhão de cartão, e como tudo no meu bairro, dava briga.

Certa época, depois de vários cortes de água e sem dinheiro pra pagar, a gente (eu) tive que fazer uma emenda no cano principal da rua (cavando a minha rua era de areia) [a primeira vez que eu fui morar numa rua que não era de areia eu já tinha 16 anos e já estava terminando o segundo grau] e um "T"com um cano de meia pra dentro do nosso terreno, esse cano desembocava dentro de um tambor de plástico (quando eu tirava a tampa) e a gente cobria o tambor com um tapume e alguns papelões (pra o pessoal da cia. de água não ver), do tambor, eu colocava uma bomba "sapo" que ficava submersa dentro do tambor, pendurada por uma corda numa ripa que se equilibrava acima do buraco, dessa bomba eu mandava a água para a nossa caixa dágua, eu descia a bomba com a corda, quando ela batia no fundo do tambor eu suspedia ela e amarrava a corda, ela não poderia tocar o fundo do tambor, ficava suspensa na água.

A equação era bem complicada: eu não podia deixar o tambor secar mais rápido do que a vazão de água da rua, senão a bomba queimava, e também não podia encher muito senão ia transbordar e virar um lamaçal e a lama iria contaminar o interior do tambor. Então era uma trabalheira doida de tampar cano, desligar bomba e esconder tudo se alguém chegar na rua.

Eu fazia tudo isso sozinho, isso eu tinha uns 11-14 anos, eu tinha conhecimentos rudimentares de pedreiro, eletricista, encanador, soldador (o meu avô era pedreiro autônomo também), eu rezava pra ninguém reclamar do barulho da bomba, a minha mãe estava dormindo (só morava eu e ela), e isso era sempre na madrugada, às vezes esse procedimento durava 3-4h, eu me molhava todo, a bomba só desligava quando eu puxava o plug do soquete da tomada.

A nossa casa não tinha muro, era uma casa de tijolo branco sem reboco por fora, que só fez eu e um pedreiro, era um quarto-cozinha-banheiro, com um pequeno quintal com uma pia externa e a caixa dágua acima da pia, a gente tinha uma cerca de pau com arame, bem espaçado e a porta da casa dava direto pra rua, só tinha esse cercadinho pra nos proteger e eu ainda tinha aula no dia seguinte pela manhã, dormia na aula e ainda era zuado por isso.

Nessa época, o café da manhã era leite de saco tipo "C", café preto bem diluído e ralo e pão com margarina vegetal, isso era o jantar também. Pro almoço, comemos muito arroz com tomate e ovo, ou "carne de lata", aquela que você abre a lata com uma chave que vem nela. Você abre a lata e coloca pra fritar na frigideira com um pouco de margarina, eu achava aquilo intragável, mas era o que tinha pra comer.

Quanto ao ovo eu também não gostava, eu fui gostar de ovo depois de adulto, e depois de "fazer as pazes com ele", eu achava que tinha estourado a minha cota de ovo da vida toda. O melhor almoço pra mim era arroz, carne moída com catchup e suco tipo Tang laranja ou Tang Uva. As frutas que davam pra comprar eram banana e melancia de vez em quando. O resto (manga, jambo e goiaba) a gente pegava na rua mesmo. Na minha casa a gente tinha pé de goiaba e abacate então a gente comeu muito deles dois. Eu tinha um amigo que sabia subir em coqueiro e tirar coco lá de cima, era assim que a gente tomava côco. Ele jogava lá de cima, se estourasse a gente bebia ali na hora imediatamente pra não perder a água, se não estourasse a gente levava pra casa.

A pobreza é a exata transformação física da ignorância e da falta de educação e informação. Eu estudei muitos anos na escola pública, até que ela era arrumadinha, tinha uma boa biblioteca e muitos livros para ler a vontade, eu sempre lia um, devolvia e imediatamente pegava um ou dois para levar, e assim ia lendo um atrás do outro, o ano todo.

Eu ia de ônibus coletivo para a escola desde muito novinho e sozinho até a parada e na volta pra casa, esse ônibus eu comecei a pegar sozinho e voltar, além de caminhar muito, eu devia ter uns sete, oito anos e ia só com um caderno fininho na mão e uma caneta bic azul, passava por debaixo da roleta para não pagar a passagem (nem dinheiro eu teria). A minha primeira passagem de ônibus que paguei eu já estava no primeiro ano do segundo grau (e não poderia deixar de pagar, pois a escola era CEFET e todo o mundo sabia que aquela farda ali era de segundo grau). Eu andei de ônibus até terminar a universidade, eu passei dezessete anos inteiros andando de ônibus coletivo. Eu sempre tive apenas uma farda, nunca nem mesmo tive duas camisas do colégio ao mesmo tempo, e eu achava coisa do outro mundo quando sabia que algum colega tinha duas camisas, a meia era a semana inteira (a mesma meia) e o tênis geralmente era um topper bem surrado, assim como a calça jeans.

Raramente eu tinha dinheiro pro lanche da escola. Eu comia a famosa merenda do colégio público, em prato de plástico e caneca de plástico. No máximo eu comprava um picolé de gêlo de 10 centavos, ou pedia um biscoito recheado Bono de alguém, goles de refrigerante... Comer uma coxinha com uma lata de guaraná no recreio do colégio era inacessível para mim.

No meu bairro de infância a gente tinha três atividades de lazer: jogar bola na rua de areia colocando tijolos para ser o gol (e contando 4 pés de um tijolo pro outro), ir pra missa e jogar video-game na game (espécie de lan-house antiga), tinha mega-drive, super-nintendo, playstation 1 e nintendo64. Em 90% das vezes eu não jogava com o meu dinheiro, mas sim quando alguém pagava a hora e me chamava pra jogar com o segundo controle, até que de tanto frequentar o lugar, o dono me perguntou se no horário da tarde e da noite eu não queria trabalhar lá.

                          
    O cenário do meu primeiro emprego era assim, só falta a freezer com os picolés. Eu cheguei a apanhar pq desliguei a TV dos marginais quando a hora tinha acabado.

Eu poderia jogar o quanto pudesse se tivesse uma TV vaga, e poderia comer uns picolés de gêlo que tinha lá pra vender, e ainda ganhava uns trocados que nem lembro quanto era. Essa "locadora" (era assim que a gente chamava) era um empreendimento feito na garagem da casa de um motorista de ônibus coletivo que rodava apenas dentro da minha cidade, eu era o funcionário dele, o único, e alternava com a mulher dele (que estava grávida ou cuidando de uma criança pequena). Ele trouxe uma sobrinha mais velha dele do interior e me substituiu, também eu apanhei lá e ficou difícil continuar (alguns moleques andavam com facas, estiletes e até revólver .22).

Depois de algum tempo eu arranjei o meu segundo emprego, eu já devia ter uns 11-12 anos, e foi de assistente de borracheiro. Eu trabalhava com um cara que fabricava sofás no quintal de casa. A gente saía de carroça pelos bairros juntando pneus velhos ou comprando, as ruas eram de areia e cheias de lama, às vezes eu ia sentado embaixo no eixo da carroça, de costas para o jumento, vendo a rua passando pelo meu lado, batendo meus pés nas lombadas ou molhando eles na lama.

                   
Repare no pequeno eixo entre as rodas, eu voltava sentado ali, porque muitas vezes em cima da carroça vinha com muito pneu, mas eu gostava de andar ali, era bem divertido, às vezes batia a cabeça no piso da carroça ou molhava os pés na lama.

Quando a gente chegava no quintal, cortávamos a borracha com uma faca bem afiada, fazíamos tiras bem longas com ela e íamos puxando. Com essas tiras a gente fazia todo o arcabouço do sofá e depois colocava o estofado por cima. O meu salário, esse eu lembro, eram exatamente R$2,50 por semana. Se vocês tentarem corrigir pela inflação, esse valor vai dar perto de R$10 reais, o ano era por ali entre 95-97. A minha mãe me deu dinheiro na mão umas 3-5x na vida, o meu pai até que deu algum, mas ele saiu de casa quando eu tinha oito anos de idade.

                         
No meu segundo emprego, era mais ou menos isso que a gente fazia depois de cortar os pneus, a gente colocava as tiras de borracha deles aí onde está na foto e também na parte das costas do sofá. O aspecto do sofá que a gente fazia era bem pior do que esse da foto. O da foto está chique, mas não achei nenhuma foto com um sofázinho à altura do nosso. A gente não podia tentar cortar um pneu que tinha um nome "radial" nele porque ele tinha um arame de metal dentro que nos cortava e não ia servir para o sofá.

Quando eu era criança, o sonho da minha vida era ter uma camisa do Vasco, daquelas que a gente chama de "oficial". Eu nunca tive. Depois de uns três anos pedindo essa camisa pro meu pai, ele comprou uma pra mim "do camelô", daquelas de 10 reais, com um tecido horrível, que suava e era meio quente, o patrocínio eu lembro até hoje, era Ace, um sabão em pó de caixinha que nem sei se existe mais hoje. Eu usava essa camisa até pra ir na festa da igreja e no shopping.

Outra coisa que eu sempre quis quando era criança era fazer natação. Eu nunca fiz. Não havia dinheiro para isso. Eu também queria fazer futebol de campo ou estudar inglês em alguma escolinha de inglês particular, e adivinhem? Pois é. Eu fiz judô porque um amigo me levou após insistir muito, me deu um kimono cru que ele tinha usado e comecei, as aulas eram em outro colégio público e o professor deixou eu me misturar com a turma do próprio colégio. Eu não gastava nada, eu cheguei na faixa roxa e ganhei muitas competições, até campeonato estadual e regional, mas dada toda a minha condição de vida, física e nutricional, não tinha como treinar nem competir em coisas mais importantes como um campeonato nacional.

Eu tive muitos problemas dentários, eu tinha muita cárie, muita dor de dente, eu não sei se sabia escovar direito, ou era pouco, ou se minha alimentação era péssima mesmo, eu rolava noites e noites na cama chorando sem saber o que fazer, passando água gelada, água da pia, colocando pasta de dente pura em cima.

Naquela época dentista público era muito inacessível, o privado era caro, mas sobrava uns privados bem ruins, que acho que nem eram dentistas, eu fui lá umas 4x, o procedimento era um só, extração, era muita dor e sangue. Até hoje eu tenho medo de dentista, e fico taquicárdico só em sentar numa cadeira de dentista. Da última vez que fui em uma aqui, chorei ao final, só com a lembrança de todas as dores que eu passei na vida. Eu acho que foi por causa das minhas questões dentárias que conheci o que se chama por "desespero". Noutra época, um pouco mais a frente, eu caí no colégio, quebrando um dos meus dentes centrais superiores, esse dente ficou quebrado por muito tempo, isso me fez sofrer bastante e me deixou cada vez mais tímido e retraído.

Na adolescência eu era o que se poderia esperar, baixo, magro, desnutrido, com dente quebrado, cariado, retraído, tímido e sem nenhuma habilidade em absolutamente nada. Da adolescência até o início da idade adulta atravessei um deserto sexual praticamente absoluto, coisa que na minha época era bem comum (não sei como está hoje em dia para a molecada). Eu levava foras homéricos na escola, passei muita tristeza e humilhação nas questões amorosas.

Os primeiros beijos e as primeiras experiências sexuais foram com as amigas e conhecidas da rua e do bairro, gente que tinha crescido comigo e que eu eu conhecia desde que me entendia por gente, mas obviamente não eram grandes coisas, assim como eu era na época. A minha primeira namorada séria, legal e bonita eu já tinha uns 20 anos de idade e estava lá pro segundo ou terceiro ano da faculdade.

Meus amigos dessa época, tenho contato com muito poucos, estão em posições bem baixas na vida, o resto se perdeu na vida ou ninguém sabe onde tá, trabalhando no comércio, alguns andando de ônibus até hoje, ou com um carrinho bem velho de 10k e sem dinheiro pra gasolina. Um dos meus melhores amigos da época da locadora, da última vez que eu tive notícia (lá pra 2003) tinha sido preso pela PM roubando toca-CD de carro estacionado.

As meninas engravidaram cedo e casaram com um qualquer e ainda moram por lá, no mesmo bairro ou em outro bairro igualmente péssimo, sem estrutura e violento. Uma minoria absoluta conseguiu chegar na faculdade pública, em cursos sem expressão alguma, como Serviço Social, Letras Português ou Geografia, esses os que eram muito dedicados.

Eu sou muito agradecido por tudo o que passei na vida, pelo caráter que me formei, pelas agruras que passei, sem tudo isso que contei aqui (não dá pra contar muitas outras coisas devido ao espaço) é que eu sou o que eu sou, é que me encontrei e encontrei o meu destino, o que me tornei e o que nasci para ser. Não é que se tenha que alegrar ou sofrer com o passado, mas um passado de sofrimento e escassez é muito difícil de esquecer sem sentir uma coisa muito estranha por dentro, às vezes tudo que eu queria era poder voltar pro passado e poder ajudar o meu eu mais novo com algum dinheiro, um presente ou uma conversa.

Foi extremamente difícil e trabalhoso passar por muita coisa sem um guia, um mentor, dinheiro, exemplos próximos ou sei lá algo que tenha tido o mínimo de sucesso para me guiar. Eis que por isso eu quis fazer esse blog, pra tentar ajudar um mínimo que seja quem se encontra numa situação de penúria ou desespero. Eu não sei como eu dei certo na vida quando todas as chances estavam contra mim.

Teve um dia que depois de muito penar em matemática pra passar no colégio (eu estava na quinta série) um coleguinha me levou pra casa dele para estudar, eu nunca vou esquecer desse dia, eu estava em recuperação praticamente reprovado (naquela época o meu colégio público reprovava mesmo, e tinha até dois alunos reprovados na minha sala), era sem choro nem vela, e por causa de uma matéria a gente repetia o ano todo, todas as matérias.

Primeiramente o pai dele (que era militar aposentado da aeronautica) acho que cabo ou sargento, foi pegar a gente de carro (foi a primeira vez que saí da escola em um carro), nos levou pra casa dele, tinha um quadro branco na garagem da casa dele e uma mesinha, ele deu aula pra gente de toda a matéria da prova, na sexta, no sábado e no domingo, resolvemos centenas de pequenos exercícios e contas, esse pai dele dizia que era bom em matemática e pra ele devia ser mais simples do que pra gente, eu aprendi direitinho a matéria e passei na prova.

Depois disso descobri que esse meu amigo (ele nem tinha ficado na recuperação) ele já tinha passado, ele estava ali comigo simplesmente porque viu o meu desespero e resolveu ajudar, sem falar, pra melhorar, a gente ainda ganhou lanche durante os estudos, torrada de queijo e suco de laranja (algo inédito para mim) - ganhar um lanche durante os estudos e pra fechar com chave de ouro - ele ainda tinha um super nintendo que a gente jogou uns jogos de avião de caça já a noite. Foi a primeira vez que eu vi um vídeo-game fora da locadora, na casa de alguém. Esse era o meu amigo mais rico até aquela data, e o bairro que ele morava era 10x melhor que o meu, do outro lado da cidade e com rua calçada. Esse fim de semana eu sempre vou lembrar.

Eu fiquei pensando por muito tempo: "caramba, como deve ser bom ter um pai em casa, que ensina, tem um quadro e ainda faz lanche... se eu tivesse uma oportunidade assim com certeza seria um aluno muito melhor, ia passar de ano folgado e quem sabe tirar as maiores notas da escola" o que descobri depois que era exatamente o caso dele, mas tudo bem.

E agora voltando ao post, eu não sei bem o que dizer para vocês nesse momento. Essa semana foi muito nostálgica pra mim por tudo o que vivi. A chegada ao quarto milhão me emocionou um pouco, porque muitas vezes, na minha solidão e na minha vida cheia de privações eu me perguntava se um dia eu ia ser feliz, se um dia eu ia ter o básico, se eu ia ter uma namorada bonita, se eu ia ter um bom emprego e vencer na vida.

E hoje, dirigindo as intermináveis horas, eu senti uma sensação de alívio danada, eu lembrei de meu passado, de tanta coisa que passei e me veio uma grande sensação de alívio e dever cumprido, de ter vencido na vida e hoje ser o que eu sou. Eu nasci num lugar e numa família que tinha TUDO pra dar errado, todo um contexto desfavorável, problemas em casa com álcool, desemprego, violência, infidelidade conjugal (do meu pai) e mesmo assim consegui encontrar meu lugar no mundo. Também lembrei de uma grande amiga minha, que foi embora desse mundo por escolha própria, há alguns anos atrás, e que muito me aconselhou em várias questões, além de dar exemplo prático de vida, determinação e disciplina, eu acho que ela estaria bem orgulhosa de mim nesse momento.

Enfim, onde está então o segredo?

O segredo de vencer na vida? De ter muito dinheiro? De ser uma boa pessoa, um bom profissional, um bom familiar?

Onde eu guardei esse segredo?

No desejo ter uma vida melhor. No desejo da minha "próxima vida" ainda dentro desta. Se você não tiver um desejo muito forte que te faz pular da cama e enfrentar o dia, mesmo com fome, mesmo morando longe, mesmo tomando banho gelado as 05:30 da manhã porque nunca teve um chuveiro elétrico em casa, mesmo saindo de casa em jejum todo dia, porque ali nem tinha café da manhã e só iria comer as 09:30, se você não tiver essa vontade dentro de você, pulsante, batendo mais forte do que o seu coração, eu não sei se você vai conseguir. Um homem sem vontade não vai resultar em nada.

No desejo de descobrir o que se passa no mundo, na vontade de superar a pobreza e de nunca mais voltar para ela, seja a pobreza material, espiritual, intelectual, mental, pobreza de laços familiares e de significado na vida, pobreza de sonhar, de desistir antes da hora, de jogar a toalha, de desistir de viver, de se contentar com o muito pouco, na imensa vontade de tomar a minha vida e o meu destino em minhas mãos e vencer com os meus meios, sem precisar fazer nada ilegal ou derrubar ninguém e tampouco culpar terceiros pela minha situação de vida. Eu queria superar o meu bairro, eu queria muito uma vida melhor, uma namorada bonita, um carro, sem tristeza, sem fome e sem desesperança.

Eu venci a pobreza. Eu venci o meu destino. Eu estou vencendo na vida.

Obrigado a todos os entraves e a todas as pessoas que de alguma forma contribuíram bem ou mal para eu estar aqui. Sem tudo isso, eu não seria o que sou hoje.

Acho que é isso amigos,
Um grande abraço a todos,
Frugal.

sábado, 2 de novembro de 2019

Minha Holding Frug3.SA Novembro 2019 R$ 426.929,00 (+17,84%)


É muito bom crescer em cima de uma base baixa e ver um aumento tão significativo da carteira.

Depois do último post sobre a Frug eu fiz os seguintes aportes:


BBRC11
BBSD11
ENBR3
ITSA3
XPOM11
CSUKX (ETF de acumulação do UK)

Total de quase 58k aportados.

Esse aporte no ETF CSKUX fiz com um dinheiro que estava parado na conta da IB há mais de 10 meses. Esse dinheiro (quase 5k libras) era a minha última reserva da reserva da reserva que eu iria trazer pra cá pra pagar conta ou ajudar a pagar algo da empresa em caso de derrocada, mas ainda bem que não precisei usar e fiz o aporte, aumentando bastante assim a minha alocação lá fora. O referido ETF está bem em conta.

Foram 6 novos ativos adicionados em apenas um mês.

Trabalhei como um cachorro neste mês de Outubro, pois em Novembro vou dar uma viajada de 7 dias (metade trabalho/metade lazer), ver familiares, velhos amigos e assistir umas palestras.

Hoje estudei mais algumas empresas na B3 e coloquei mais algumas na carteira.
Agora tenho 37 ações na carteira BR e estou muito bem com isso (fica 2,7% da alocação em cada). Em custódia tenho apenas 6, e ainda faltam 31 para ter algum dinheiro em cada, isso pode levar um bom tempo, talvez até o final do ano que vem, e ainda tem os fiis que comecei apenas com um.

Achei um app muito bom que me fez lembrar muito o Google Finance e estou curtindo bastante, ele se chama "My Stocks Portfolio" e está disponível para Android (não se se tem para ios pois meu cel é Android). Neste app você cadastra todas as suas ações, ETFs, Stocks, fundos imobiliários e cadastra as compras, além de colocar uma watchlist em separado.

Ele diz o preço de custo de cada um (que você inseriu) e o atual, somando tudo e mostrando a rentabilidade da carteira, pra mim no caso ele é como se fosse a união do Bastter System com os dados da minha corretora lá fora, a IB. O bastter system ainda não oferece suporte para os ETFs que compro pela IB, por isso não fica completo para mim ainda.



Eu gostaria de poder colocar isso aí sem os imóveis, mas não dá.

Em azul, os imóveis (o maior é comercial (loja) e o segundo maior é o ap que eu moro, outro é um flat - o flat tá no airbnb gerando mil reais líquidos por mês e já foi vendido mas ainda não entreguei, e os demais 4 são terrenos, sendo que dois deles ainda estou pagando), em laranja os debentures e RDC (RF), depois tem as ações BR com os símbolos das empresas, em vermelho o ETF de ações BR que comprei aqui, o BBSD11, e depois do logo da Eztec tem as coisas que tenho no exterior (ETFs e stocks). A bolinha verde é dólar (U$4k). O ponto preto é a ação da Black Rocks que tenho (apenas uma mesmo) e lá em cima perdido um pequeno ponto é o Fii BBRC11. Essa é a alocação financeira do meu patrimônio total neste mês.

Espero agora multiplicar esses círculos em tamanho, variedade e ver a renda passiva entrar.

Grande abraço a todos,
Frugal.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Fechamento Outubro/2019 R$36.404,00

Resultado fraco. Estou decepcionado.

A gente pensa que vai sempre crescer, devagar e sempre, mas a realidade é dura.
Tem que ter dinheiro guardado pra capital de giro e para as muitas despesas extras que aparecem.

Em Outubro as receitas foram quase iguais às de Setembro, mas tive quase R$10k de gasto não-recorrente e mais R$15k de aumento nos custos. Tenho que rever com urgência cada centavo que está neste negócio.

Minha falta de tempo começou a cobrar o seu preço alto e quem sabe minha semi-presença esteja comprometendo o operacional da empresa, ou então tá sumindo dinheiro...

Eu não esperava uma paulada tão grande dessas, está muito ridículo visto que não pago aluguel e tenho o custo do imóvel. A luz vermelha já foi acesa e em Novembro e Dezembro estarei de olho em tudo.

Pra variar, muito difícil confiar nas pessoas, nos serviços e em alguns funcionários. Este mês um foi embora e ameaçando bastante, dizendo que ia na justiça, que a rescisão dele tava errada e mais um monte de coisa.

Tem funcionário que é assim, trabalha ruim, não valoriza a oportunidade, faz um monte de merda e quando é mandado embora sai cuspindo sangue e fogo. Ingrato do caceta. Não é a toa que muita gente tem uma vida de merda, em todos os campos, pessoal, profissional e acadêmico, nunca se dedica a nada e nem honra as oportunidades e a boa vontade dos outros.

O mais engraçado é que não tenho medo algum da Justiça do Trabalho, mas também não vou conviver com ameaças e nem tolerar dissidências. Me ameaçou ou falou em Justiça do Trabalho tá fora, é simples assim, e não quero nem olhar na cara nunca mais. Uma microempresa, que vive mês a mês em cima da linha, com dificuldade para ter lucro, trabalho intenso todos os dias na semana e nos fins de semana, um enorme esforço meu, que coloquei meus últimos seis anos inteiros de trabalho não pode se dar ao luxo de tolerar gente indisciplinada.

Ao longo desse ano dei alguns aumentos de salário e também nas comissões. Já comecei a me arrepender. A empolgação com o fim da dívida e com o aumento dos lucros me fez querer ser um pouco mais generoso e agora parece que a coisa deu um salto quântico nas despesas. Não quero mais nem ouvir falar em aumento. Agora é aumentar as receitas, cortar gastos e economizar o que puder.

Por hoje ainda não atualizei a planilha do FC mas quando atualizar vou lançar aqui. Eu trabalho com o regime de caixa e fiz apenas todas as somas de entradas e despesas fiz a conta desse mês.

Estou otimista com um pequeno processo de mudança na forma de cobrança e pagamento, acho que vai dar resultados (pagar taxas menores no banco e na maquininha). Agora é a fase de começar a afiar a tesoura para cortar o que puder.

Grande abraço a todos,
Frugal.

P.S.: Editei o post e somei mais R$9,2k que estavam na conta de um novo cartão de uma nova maquininha que eu havia esquecido de somar por estarmos no primeiro mês. :)

A Providência favorece os entristecidos.

sábado, 19 de outubro de 2019

Comprei um ETF no Brasil BBSD11 bom pagador de dividendos.


Primeiramente coloca a musica da musa do blog pra tocar aí:: Lana Del Rey - California que é o que estou fazendo agora, é um soul bem bacana.

Na minha volta ao mercado fui dar uma olhada nos ETFs listados na B3 e me deparei com duas boas novidades: o IMAB11 e o BBSD11.

Esse mês eu investi no BBSD11(S&P DIVIDENDOS BRASIL) um aporte de quase 10k. O meu lado John Bogle me mandou comprar ETFs também.

Não existe estratégia certa para investir e estou testando uma estratégia mista de minha carteira de ações individuais + minha carteira de ETFs no BR, assim me sinto mais confortável em nem ir tanto ao caju e nem a castanha, mas saibam que coloquei 30% do meu patrimônio total em minha carteira de ações no BR e 7,5% em ETFs no BR, ou seja, o total de ETFs que vou ter com o passar do tempo vai ser o equivalente a 25% do meu total de ações individuais, ou seja, para cada R$100k investido em ações, terei mais R$25k investidos em ETFs no BR.

Vamos lá:

O BBSD11 é um ETF que replica a carteira do índice dividend aristocrats da Standard and Poors. Nesse índice eles colocam as 30 empresas maiores pagadoras de dividendos nos últimos três anos.

O ETF é distribuído pelo banco do brasil e tem uma taxa de 0,5%, é um pouco alta mas eu achei que compensa.

Muitos de vocês vão falar em PIBB11, BOVA11 e etc, mas vejam que são coisas bem diferentes e inclusive fui estudar o valuation dos ETFs listados no Brasil e vejam só a minha surpresa, nenhuma distribuidora disponibiliza essa informação aqui. Se você quiser ver, tem que ir num site gringo e procurar o produto por lá.

Vamos começar:

Resultados dos últimos 12 meses de alguns ETFs da B3.



Caramba Frugal! Rendeu 51,5% nos últimos 12 meses contra apenas 36,7% do PIBB11. Legal!

Mas não escolhi ele pela rentabilidade dos últimos 12 meses, óbvio. Primeiro você tem que olhar a metodologia do índice e o valuation do ETF. Fui procurar na página gringa da S&P e achei muita coisa lá.

APÓS LER a metodologia do índice, a qual eu gostei e concordei com a estratégia, é que fui estudar mais o ETF. Esse seria praticamente o ETF do Décio Bazin, autor do livro Invista em ações antes que seja tarde, um livro bem legal sobre a bolsa e com um fundo histórico muito legal, recomendo o livro.

A metodologia você encontra nesse pdf: https://portugues.spindices.com/documents/methodologies/methodology-sp-brazil-dividend-indices-portuguese.pdf?force_download=true


Vamos ver a carteira do ETF:






Lembrando que o ETF NÃO PAGA DIVIDENDOS!
Ele é um ETF DE ACUMULAÇÃO. Os dividendos recebidos pelo fundos são reinvestidos na compra de novas ações da carteira do fundo, de forma a acompanhar o índice.



Desvantagens:

Todos sabem que é a taxa de adm (0,5%aa) o que considero alta, aliás essa é a maior taxa que eu pagaria por um produto financeiro.

Vai pagar 15% de IR na venda de qualquer quantidade de cotas. A minha idéia é não vender nunca, ou então que seja uma das últimas coisas que eu venda, ou ainda, se eu precisar de mais de 20k num mês de uma venda e não quisesse vender nenhuma ação em particular, eu venderia os ETFs, enfim, não é perfeito, tem algumas empresas ruins dentro e tem desvantagens.

Investir é como montar um time de futebol e você é o técnico. Não adianta colocar só atacante num time, ou só meio de campo, cada função tem uma pessoa de um tipo, e inclusive você tem que pensar até no banco de reservas. Colocar um ETF desses numa carteira é uma estratégia de defesa, de seguro e de diversificar melhor os investimentos.

A estratégia de investir em empresas boas pagadoras de dividendos é polêmica e divide muitas opiniões, eu como não quero comprar um lado, fico com um pouco de cada lado, é aquela dúvida que as pessoas tem entre comprar Itaú, Bradesco ou BB, na dúvida compre 1/3 de cada e fique mais tranquilo. Ficar procurando pêlo em ovo ou acertar o olho da mosca só vai lhe fazer perder tempo e se estressar com a atitude de investir.

Legal Frugal, você já mostrou o ETF, a carteira, o custo, a estratégia, MAS cadê o valuation?

Bem, pra mim tá bom, vou picotar o documento da S&P aqui pra facilitar pra vocês, mas se quiserem ler todo (tem mais de 29 páginas tá no site deles):



Para uma boa expectativa de retorno gosto de olhar o P/B (p/vpa) e o P/E (PL).
PB abaixo de 2 acho ótimo.
PL abaixo de 15 é muito bom.
Esse ETF satisfaz esses dois critérios para mim, então tudo bem.

Olhando o desempenho dos últimos 10 anos:



Manteve 11,71% de ganho anual médio nos últimos 10 anos contra 8,43% do IBrX100. Um ganho consistente maior e mais duradouro. E anualizado segue abaixo. Sofreu bastante em 2015 (minha carteira toda caiu quase 16% em 2015).



Minha atual carteira está com 34 empresas para comprar e ainda faltam 30. Coloquei logo o ETF para já diluir um pouco o meu risco. Algumas dessas empresas como Cielo e Vivo eu já tenho na carteira mas não me importo também de investir pelo ETF e o valuation dele está bem atrativo para a minha estratégia simples.

Só olhando essas tabelas de retorno dá pra ver o que eu passei estudando muito e investindo na bolsa. Comecei pesado em 2013, 2014 e 2015, foi muito frustrante na época vendo o valor da carteira cair todo ano, mas já estou bem mais vacinado. A galera que está entrando na bolsa nos últimos 3 anos ainda não sabe o que é isso. Talvez se não fosse por isso eu nem teria aberto a loja, mas tudo bem, tudo na vida é aprendizado. Descobri o que é ser um verdadeiro Buy and Hold a duras penas e o ETF é uma forma de assumir a minha própria insignificância diante do mercado.

Fora esse ETF, coloquei na carteira o IMAB11 e o SMAL11, que vou discutir depois em posts próprios cada um.

É isso aí meus amigos, só quis falar um pouco os motivos que me fizeram comprar esse ativo.

Obviamente NÃO É RECOMENDAÇÃO DE COMPRA.
Todos os ativos financeiros tem seus riscos e cabe a somente você analisar o que serve pra sua vida.

P.S.: Falta algum site ou blog ou alguém que saiba analisar e discutir os ETFs listados na B3. A informação sobre a análise de ETFs no Brasil é extremamente pobre e como esse é um mercado que vai crescer muito, quem tiver disposição e quiser começar a fazer essas análises de forma séria e honesta, eu vejo aí uma boa oportunidade de empreender.

Analisar ETFs no Brasil ainda é mato, assim como os seus volumes de vendas, mas isso vai subir muito, podem acreditar. A série Aristocrats de índices da S&P já existe em vários países e mercados, incluindo EUA obviamente (lá para entrar no índice tem que ter 25 anos de pagamentos de dividendos crescentes).

Grande abraço a todos,
Frugal.

domingo, 13 de outubro de 2019

Os imigrantes trabalham mais?


Boa noite amigos,

Estive pensando algumas coisas hoje e considerando isso com as coisas que já vi na vida.

Como todos sabem, o Brasil é um país de dimensões continentais, e sair do sul pra trabalhar no norte pode corresponder de sair de Moscow pra trabalhar em Londres.

A pergunta é: Será que o fato de uma pessoa imigrar pode ajudar ela a trabalhar mais e acumular mais dinheiro?

Eu tenho uma teoria que sim, e que isso se aplica ao meu caso.

Se eu estivesse na minha cidade natal, cheio de família e amigos por perto, além do mar, trabalharia bem menos e talvez nem tivesse acumulado muito patrimônio. Essa é a minha percepção. Aqui no norte tem muita gente do Brasil todo, nordeste, sudeste, centro-oeste e sul, e eles trabalham muito, querem juntar dinheiro, seja com o que for. Tenho reparado que quem é de fora trabalha mais do que quem é "da terra". Onde vocês moram, já pensaram nisso?

Algumas razões podem explicar isso:

Menos eventos sociais para ir (batizado, casamento, churrasco, bar, peladas, reuniões, happy hour, praiazinha, reunião na casa de amigos e etc...)

Distância da família: compensar trabalhando mais para ajudar mais e viajar mais.

Distância da terra natal: tenho que fazer algum sentido extra em estar morando longe e deixando de aproveitar, então vou trabalhar mais.

Enfim, comparando com meus amigos que nunca saíram de minha cidade natal, estão todos bem, vivendo a vida de modo normal, sem pressa, sem muitas pretensões e se abstendo de viver a vida no modo hard por alguns anos, pois pra eles não faz sentido algum também, e é até explicável.

Por outro lado, pessoas ambiciosas buscam sair da sua cidade para ganhar mais dinheiro fora dela e por isso, talvez, chegam trabalhando bem mais do que as outras nas cidades maiores. Eu vi muito isso quando morei nos EUA. Eu morei em Chicago algum tempo, e 99% dos americanos que conheci não eram de Chicago, eram sempre de alguma cidadezinha em algum estado vizinho e tinham ido pra lá exclusivamente para trabalhar, e muito, mas não porque não tinha emprego na cidade deles, mas sim que pagava um pouco menos e não teriam muitas possibilidades.

A gente vê também isso nos restaurantes árabes e chineses ao redor do mundo. Os caras quase não fecham, ficam abertos até tarde da noite, de madrugada, aquele negócio em família, sempre com alguém a postos pra vender um lanche ou ganhar uns 10 dólares a mais.

Será que essa minha percepção tem algum fundo de verdade ou minha visão está equivocada? Eu nunca vi um texto sobre isso, mas me peguei pensando nisso esses dias.

Bem, se isso for mesmo uma verdade, eu sou um exemplo disso e pelas razões que expliquei acima.

Também tem aquela coisa mágica de um dia voltar para sua terra natal tendo feio a volta por cima e viver com mais tranquilidade e com a certeza que já fez muito do que tinha que fazer no quesito trabalho e patrimônio. É possível vencer na própria terra, com certeza, mas talvez seja fácil vencer vivendo longe de casa e um dia voltando para a própria terra, claro que não são flores, tudo tem o seu preço, e quem vive longe das pessoas que ama sabe o que isso significa. Tem muito brasileiro vivendo ao redor do mundo que sabe muito bem o que é isso.

Você já pensou em imigrar pra ganhar mais? Pode ser dentro do Brasil ou para o exterior mesmo.

Se você não pensou, talvez essa seja a chave para a sua IF. Talvez tenha sido a chave para a minha.

Não estou aqui dizendo que isso é bom ou ruim, melhor ou pior, é só uma alternativa e que tem o seu preço caríssimo.

Por último, nunca li a biografia de uma pessoa admirável, que tenha ficado a vida toda na mesma cidade. A imigração nos faz evoluir muito e amadurecer, que de outra forma, a gente nunca conseguiria se ficasse a vida toda morando e trabalhando na mesma cidade.

Boa semana a todos,
Frugal.

sábado, 12 de outubro de 2019

A sua comunidade é a Matrix.



Olá amigos,

Esse post é muito importante. Leiam, leiam com muita atenção.

Não é um post sobre rendimentos, lucros, resultados ou atualização de patrimônio.

Esse post é sobre comportamento, filosofia de vida, comunicação, linguagem e sobre a sua inserção na Matrix. Leiam com foco total.

Primeiramente vamos a um conceito: Comunidade.

O que é a sua comunidade?

- São as pessoas com quem você se comunica ou se relaciona.

(eu não quero aqui discutir o conceito, assuma esse conceito como o conceito desse post).

Exemplo: família, amigos do trabalho, cônjugue, colegas de colégio, da faculdade, da rua ou do condomínio que você mora ou mesmo amigos que moram no exterior ou pessoas que você se relaciona em alguma rede social, fóruns, twitter, não importa.

Exemplo 2.: Quem interage aqui comigo na blogosfera faz parte da minha comunidade.

Com raríssimas exceções, 99,99% da sua comunidade faz parte da Matrix.

O que isso significa?

Bem, em se falando da Independência Financeira, 90% não sabem que esse conceito existe, 5% já ouviram falar, 4,9% até tem uma vaga idéia do que seja e 0,01% sabe o que é e faz algum esforço pra alcançar essa meta.

Dito isto vamos aos singelos fatos, por exemplo, de como o que você pensa sobre o mundo pode se exteriorizar displicentemente e a matrix não conseguir entender.

Vencer a matrix é o verdadeiro desafio mental e braçal da vida, não se enganem. Ou você vence a matrix ou ela engole você, é simples assim, qualquer tentativa de meio termo aqui neste ponto é apenas uma vitória da matrix, por mais que você queira justificar racionalmente que não é, não adianta.

A matrix luta dia e noite contra você e usa para isso, 99,99% das pessoas que você conhece e toda a sua comunidade. Não que elas saibam disso, elas não sabem.

A luta pela independência financeira é praticamente solitária, ou pelo menos em um casal muito bem amarrado no objetivo, fora isso não espere compaixão, a matrix desce com uma marreta.

Da minha comunidade, eu tenho absoluta certeza que estou entre os 1% que mais trabalham (número de horas), talvez entre os 0,1% que mais trabalham. E por quê eu digo isso? Porque isso é simples e é uma questão de matemática e eu simplesmente sei. Difícil achar por aí quem trabalhe mais de 100h por semana, nem no setor público e nem no privado. Se você for passar de 120-130h por semana é praticamente impossível colocar aí mais do que 5% da sua comunidade. E não adianta fazer conta de 8h de sono, não é assim que funciona.

E por que eu faço esse alerta e venho lhes lembrar disso?
Pra que vocês não adormeçam e deixem a matrix lhe pegarem fortemente.

Eu estou no meu caminho, juntando o meu patrimônio, ainda sou novo, a minha estratégia é tosca, arriscada e perigosa, mas tem dado certo, eu não estou me gabando, estou apenas dizendo o que penso e acho e que efetivamente financeiramente tem funcionado. Os resultados estão aí e quem me acompanha sabe, então se você começa a ter bons resultados vai ficando independente e fincando seu pé num território que a matrix não lhe atinge mais, isso vai parecer louco ou desajustado pelos matrixianos, tem que ter a cabeça feita e saber situar-se perfeitamente no seu tempo e espaço, isso se chama auto-consciência.

Vão surgir críticas? Sim, muitas.
Vai ser fácil? Não, não vai.

Pra vencer você vai ter que ser um "desajustado". De alguma forma sim.
Não tem como vencer estando perfeitamente integrado na Matrix. A integração é a derrota.


O seu estilo de vida, comportamento, hábitos de consumo e carga horária de trabalho vai ser bem diferente da maioria ou muito excêntrico? Sim, com toda a mais absoluta certeza, sem sombra de dúvidas!

De outra forma, como você quer chegar num lugar que pouca gente chega? Fazendo o que a maioria faz? Não tem sentido algum.

Quantas pessoas de 40 anos de idade que você conhece ganham R$10-15k mensais em dividendos de forma passiva? Poucas não é? E de 35 anos? Menos ainda.

Pois é.

Vivemos num país em que 64% das pessoas não ganham nem R$3k por mês, trabalhando, imagina uma que ganhe 15k sem fazer nada.

Apenas 10% dos brasileiros ganham acima de 7k mensais trabalhando.
Se você ganha mais de 7k mensais trabalhando, você está entre os 10% mais ricos da população. Ficou impressionado?

Olhe a figura:

Apenas 3% das famílias tem renda mensal entre 10-20k TRABALHANDO!



Imagina quantos porcento da população ganham entre 10-20k mensais PASSIVOS?

É aqui onde estamos. Procurando as falhas da Matrix.

Esses dias eu estava conversando com parte de um grupo da minha faculdade (a metade que só tem os homens) e veio a tona o quanto a gente estava trabalhando (não falamos em dinheiro e valores), mas eu falei que trabalhava todos os dias de domingo a domingo, e claro, o mundo veio abaixo. A matrix nunca entende ou entenderia. Não espere compreensão, discernimento, compaixão ou aceitação da matrix, ela foi feita para lhe escravizar.

Também não se sinta deslocado, não se sinta anormal, não se sinta uma pessoa que está agindo errado na vida. A vida é isso, escolhas.

Há quase cinco anos que eu escolhi que iria trabalhar como uma mula, estudar pra caramba, estudar investimentos, me destacar nos meus aportes, me dedicar na minha profissão, evitar consumismo inútil e ineficiente e aqui sigo. Quem sabe nos próximos 3-5 anos eu tenha atingido a minha liberdade financeira (que pouquíssimas pessoas conseguem) e esteja livre da preocupação em ganhar mais dinheiro para pagar as contas, essa é a diferença.

Para muitos leitores, ainda mais no mundo de hoje, do vitimismo e da petulância infantil em se sentir ultrajado com tudo, esse post pode parecer apenas para amaciar o meu ego, mas não é. Estou tentando mostrar pra vocês na prática como é difícil chegar longe, como é difícil se manter assim e como não sucumbir à matrix.

Tem que ter muita força mental, tem que ser uma locomotiva em cima do trilho e embalada, faça chuva, sol, neve ou tempestade de areia. Ou você levanta, vai lá e faz, ou ninguém vai fazer isso por você, é simples assim.

E eu digo isso porque eu sou brilhante?
Também não.

Pra falar a verdade, eu sempre fui mediano em tudo na vida, nas notas, nos esportes, em qualquer habilidade, em conquistar mulheres, em dançar, em ser um cara querido na roda dos amigos, e enfim, eu me daria uma bela nota 7,0 em quase tudo na vida, e essas eram a maioria das minhas notas na escola e na faculdade. Eu sempre me contentei em ser um nota 7, eu só queria passar de ano e de semestre.

Da mesma forma não me considero um bom investidor, nunca tive grandes retornos, já fiz muitas merdas, entrei em empresa ruim, fiz grandes giros, torrei uma nota pra montar um negócio que eu não tinha intimidade, nem experiência, praticamente do nada, baseado até hoje em não sei em quê.

Então qual a minha grande habilidade até hoje?

Sinceramente, trabalhar pra caramba (bem acima de 95% das pessoas que conheço ou conheci), ler talvez acima da média, escrever esse blog, ser humilde no trato com as pessoas, consumir muito pouco, ter uma vida modesta e bem abaixo das minhas possibilidades, é isso, sem muito segredo onde não tem.

Nunca comprei um excelente ativo, nem tive uma carteira vencedora, ou sei analisar profundamente um negócio. Isso daí tudo eu raspo, dou uma pincelada na superfície e pronto. O que eu sei de Itaú, B3, Engie? Disney, Black Rocks, SWDA, CPXJ, DAXEX? Praticamente nada, bulhufas. É olhar alguns quadros, alguns releases, comprar e acreditar, é um jogo de aposta e fé, e fugir das bombas óbvias. Se for pra fundo imobiliário a coisa piora muito mais.

Não temos controle algum e não sabemos nem 1% do que acontece ali dentro ou o que vai acontecer, e pior, nem mesmo temos consciência do tamanho estelar da nossa ignorância, pequenez e insignificância.

A verdade é que finanças quanto mais você estuda, mais você fica perdido, tem uma hora que você chega num platô e tudo se repete e você não tem mais pra onde ir, tudo vira adivinhação de futuro, e de setor e de empresa, não existe racionalidade alguma, é só esperança.

A Xiaomi, a Tencent, a Alipay vão dominar o mundo? Não faço a menor idéia e nem ninguém faz, por isso que cada dia sou mais fã de Bogle e sempre me pego pensando em jogar tudo em grandes ETFs e deixar tudo pra lá.

Enfim, saindo do assunto de finanças e voltando para a matrix:

Tenha em mente que 90% das pessoas que você conhece vão se aposentar sabe-se lá quando, pelo INSS, ou por idade, ou por invalidez, ou mesmo vão morrer antes disso, enfim por algum evento oficial, aos 60 anos ou mais, bem provável mais de 65 e com uma renda totalmente ignorada por enquanto, principalmente quanto mais longe for, o cenário é pior, mesmo pra funcionário público federal, as nuvens no horizonte são negras para todo mundo em se falando de Brasil. Não há garantias.

Destacar-se e manter-se no topo dos 10% da sua comunidade já é dificílimo trabalhando, e mais difícil ainda tendo uma renda alta na IF. Ninguém vai entender, ninguém vai compreender, pouca gente vai acreditar e até algumas pessoas vão ficar com inveja ou torcer contra, e claro, muitas vão lhe taxar de doido ou sei lá o quê.

O caminho é dificil e para muito poucos, isso é um fato. E enquanto você não entender isso e não se transformar na sua própria locomotiva vai estar sujeito a ser sugado para o fundo da lama da matrix.

Por hoje é isso amigos, grande abraço a todos!
Frugal.