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domingo, 23 de abril de 2017

A pobreza como uma expressão da ignorância


Muitas vezes na vida, perguntamos-nos por que a pobreza existe. Por que os pobres existem? Por que tantas pessoas no mundo nunca deixam a miséria para trás eternamente? Por quê eu e você nascemos pobres? Por quê a pobreza não acaba e todo mundo vira classe média ou fica rico? Para existir o rico tem que existir o pobre?

São perguntas profundas e existencialistas. De fato a esmagadora maioria da humanidade, em toda a sua história foi pobre, e ainda há que se considerar que um pobre hoje vive muito melhor do que um Rei vivia na Idade Média e tem uma expectativa de vida bem maior. Já ouve um tempo em que os pobres não comiam adequadamente, em termos de calorias/dia, atualmente os pobres comem muito mais calorias/dia do que realmente necessitam, de uma forma tal que mais de 50% dos pobres brasileiros (ou latino americanos por assim dizer) são obesos. Um pobre na Idade Média era infinitamente mais desgraçado do que um pobre latino americano o é, pois a riqueza criada pela humanidade acaba beneficiando o pobre atual, há 500 anos atrás praticamente não havia riqueza alguma pra distribuir.

Esqueça classificação de pobreza ou riqueza segundo governos e até a própria ONU, diversas outras centenas de outras ONGs sobrevivem apenas disso, a pobreza alheia virou um negócio global, inclusive tem um documentário muito bom que fala sobre isso que se chama Poverty, INC. Você pode ver esse documentário que é muito interessante clicando aqui: https://fmovies.se/film/poverty-inc.v6k2 . Cada entidade governamental ou não, fala o que quer e como quiser, segundo lhe convém para enfeitar seus relatórios e suas apresentações de power point. Não preciso dizer que não sabemos os reais interesses de grupos como esses e quanto do grau de manipulação utilizam em suas estatísticas canalhas para chegar onde querem.

Veja o gráfico da criação da riqueza no mundo desde 1700:


Ou seja, antes da Revolução Industrial basicamente e seguramente 99% da humanidade ou mais do que isso eram imensamente muito pobres e miseráveis, tão pobres que qualquer emprego numa fábrica por 18h por dia era melhor do que morrer de fome no campo, pelo menos dava pra pagar um teto e comida. Os primeiros empregos da revolução industrial eram horríveis, mas eram melhor do que nenhum e do que a fome. O capitalismo é um sistema que se baseia no acúmulo de riqueza para prosperar e naquela época as fábricas estavam apenas começando sua história e não tinham capital nenhum ou riqueza acumulada para proporcionar conforto material e salários maiores aos seus empregados, como por exemplo não acontece numa fábrica da Honda hoje em dia.

Para uma pessoa ou mesmo um país ficar rico existe um fator primordial, a passagem do tempo, conforme expliquei nesse post: http://frugalsimples.blogspot.com/2017/03/a-espetacular-passagem-do-tempo.html. O processo de investimento que uma pessoa física, uma empresa ou mesmo um país é exatamente o mesmo, não vai existir crescimento sem estudo, trabalho, eficiência, economia, inovação, fluxo de caixa positivo, dívida controlada, retenção dos lucros, reinvestimentos e apenas muito, muito posteriormente a distribuição dos dividendos. É essa distribuição de dividendos que gera os programas de Welfare como o Bolsa Família no Brasil, o Food Stamp nos EUA (vale alimentação para os pobres) e outros tipos de Welfare na Europa, o famoso "bem estar social" comentado pelos entusiastas e bolsistas, claro que a maioria deles esquece ou finge que não sabe que tem que produzir a riqueza primeiro.

Legal, Frugal, mas você ainda não explicou bem essa questão da pobreza e da ignorância. Você tá chamandos os pobres de ignorantes é isso? Não amigos, não e sim. Não é um xingamento, é um fato.

Não há problema em ser ignorante em alguns assuntos ou em muitos assuntos, o fato é que qualquer humano domina muito pouco de qualquer assunto, o que ignoramos é um universo, o que sabemos é uma gota no Oceano. O problema é que o pobre é bastante ignorante em quase tudo, fora o analfabetismo clássico de não saber ler nem escrever (no Brasil são 10%) ou seja 20 milhões de pessoas nessa situação, ainda temos o analfabetismo funcional (atinge 50% dos universitários brasileiros) e ainda a enorme quantidade de massa de pessoas que não fizeram nem curso técnico para exercer uma profissão e tampouco o curso superior. São barreias educacionais imensas para o indivíduo como um todo, e para o país, claro que curso superior ou técnico não é garantia de nada, e pessoas com primeiro grau podem ficar milionárias, mas isso é muito mais improvável estatísticamente do que o contrário.

O fato é que a pobreza é a condição natural do ser humano e juntamente com ela, a ignorância. A imensa maioria da humanidade nasce pobre, isso é um fato. É muito difícil superar a pobreza nascendo numa família pobre ou muito pobre, isso é um outro fato. Nós nascemos pobres e analfabetos e precisamos ser guiados e educados na vida para podermos superar a pobreza, além do mais precisamos de um suporte nutricional, familiar, segurança física, abrigo seguro e um ambiente saudável para criarmos nossa chance de superar a riqueza, e como a gente sabe, é cada dia mais difícil um ambiente familiar seguro e estável que nos possibilite isso. Falei um pouco sobre isso nesse post: http://frugalsimples.blogspot.com/2017/03/o-que-fazer-quando-ninguem-lhe-da.html.

Primariamente temos que perceber que nem sempre teremos as condições necessárias para sair da pobreza, embora hoje em dia com computador e internet isso esteja ficando cada vez mais fácil. Eu diria que hoje em dia um computador com internet é o passo mais barato para sair da pobreza, pois a pobreza consiste basicamente em falta de informação e falta de acesso à informação, e com mil reais você consegue parcelar um computador nas Casas Bahia, mesmo que em 10 prestações de 130 reais dá, assim como comprar uma bicicleta de 200 reais usada para se transportar. Com um computador e uma bicicleta você pode chegar muito longe.

Então vamos lá:

Por quê a pobreza existe? Porque a maioria dos seres humanos nascem pobres, a pobreza é a condição natural do ser humano. A riqueza é uma "invenção" muito recente, e foi graças à ela que podemos viver mais e melhor, com maior expectativa de vida e podemos gerar mais riqueza para beneficiar as gerações futuras.

Por quê os pobres existem? Basicamente porque tiveram pais pobres que não conseguiram romper a barreira da pobreza antes de gerar um filho, e dificilmente vão conseguir fazer com que esse filho tenha uma educação adequada para superar a pobreza, pode acontecer, mas é difícil. Primeiro por que por ser ignorante (e muitas vezes não saber que o é) não valorizam a fundo a educação ou simplesmente colocam as crianças para trabalhar, sem lhes ensinar um ofício útil de verdade.

Por quê a pobreza não acaba? Com a criação da riqueza no mundo no ritmo que vai, é bem possível que a pobreza extrema seja eliminada nos próximos 30-40 anos e os programas de Welfare se ampliem. Porém não é isso que quero falar. O que quero falar é que a verdadeira pobreza do ser humano consiste em pouco conteúdo pensante na sua massa cinzenta, no seu cérebro. Pobre com dinheiro já existe, ficam rapidamente obesos, sucumbem às drogas facilmente, morrem em acidentes de trânsito totalmente evitáveis, envolvem-se em brigas e violência física e acabam matando ou morrendo e por aí vai. A pobreza é um câncer que não depende apenas de dinheiro e sim de formação moral, intelectual, cívil, cultural e muito mais além. Claro que a vida para o pobre é MUITO mais difícil, eu não sou um teórico que fica tomando whiski e fumando charuto em Paris tergiversando sobre os pobres, eu sou um pobre que melhorou de vida e falo com conhecimento empírico de causa e falei bem mais nesse artigo sobre o que fazer para superar a pobreza: http://frugalsimples.blogspot.com/2017/03/por-que-pode-dar-certo-mesmo-voce-sendo.html.

Resumindo, a pobreza é sim uma expressão da ignorância, e isso não é opinião minha, isso é um fato. Se você não consegue ser útil, não tem um trabalho produtivo e não gera riqueza, você não vai ter dinheiro. Um dia na vida já trabalhei pra ganhar R$10 reais por semana, pois eu não sabia de nada e não sabia fazer nada, mas com mais estudo e mais trabalho consegui aos poucos aumentar a minha renda. Quando você é um estagiário de alguma empresa você ganha muito pouco, por quê? Por que você é um ignorante naquele assunto que está querendo aprender e aceita ganhar pouco (em dinheiro) para ter outros ganhos (salário, experiência, vivência), essa é a história natural do mundo e do ser humano, não dá pra entrar numa empresa querendo ser o diretor.

Com algum conhecimento em mente aprendido duramente na vida e ainda mais num ambiente hostil, comecei a dar aula particular de diversos assuntos para alunos do ensino privado, com esse dinheiro dá pra se alimentar, transportar, ter internet (mas na época ainda não dava) e poder comprar livros. Com a compra de livros, novos estudos, passar num vestibular, arrumar outro emprego e/ou aumentar o valor da aula que cobrava, arrumar mais alunos, dar aula para pequenos grupos, até mesmo ser convidado para ser professor de cursinho e colégio público e privado tive na minha vida. E assim dá pra ir tocando a vida e vencendo a pobreza, com estudo, conhecimento e dedicação. Não conheço outro jeito, exceto mega-sena e golpe do baú. Alguns falam em crimes e ou tráfico, mas os criminosos pobres que roubam celular e motos por aí não ficam ricos e nem melhoram de vida, a bem da verdade são logo mortos ou presos pois não sabem o valor que pagam na relação risco/benefício de realizar assaltos, furtos e traficar.

Não há nada de errado em nascer pobre, crescer pobre, ser ignorante ou permanecer ignorante e pobre para o resto da vida. Mas se em algum momento lhe for dada a oportunidade de ter um lar, poder comer, dormir, estudar, ter acesso à internet, ou seja, se alguém lhe bancar, é sua obrigação moral superar a pobreza e melhorar a vida da sua família nuclear e da sua futura família (isso se você quiser uma) - pelo menos ao ponto de você arrumar um emprego e ajudar nas contas de casa. E se quiser ir além tem muitos cursos on-line, faculdade on-line, preparatório pra concursos on-line, milhões de livros em português para ler, cursos grátis de inglês, sites de educação com milhões de aulas grátis (inclusive para vestibular), YouTube com milhões de aulas de quase todos os assuntos.

Hoje em dia todo esse processo ficou extremamente facilitado pela internet e pelos smartphones. O grande problema é que a ignorância das pessoas não lhes permite utilizar o melhor que a internet pode oferecer para que melhorem de vida e preferem ficar em redes sociais idiotas como SnapChat e Instagram que apenas fazem sugar o tempo útil de suas vidas. Se você colocar a internet a seu favor você pode chegar muito, muito longe e utilizar essa maravilha da modernidade chamada de computador para se informar melhor, estudar, crescer e até mesmo aprender uma profissão nova ou melhorar na sua atual profissão. A ignorância e a pobreza podem ser eliminadas SIM.

Grande abraço e boa semana à todos.

Frugal.

sábado, 22 de abril de 2017

O maior gestor de Hedge Funds do Universo



Olá amigos,

Uma das coisas que mais me fascina no mundo das Finanças, é a mente brilhante de algumas pessoas que estão na área. Não tenho dúvidas de que as mentes mais brilhantes e poderosas do mundo estão na área de Finanças, bolsas, mercados e negócios atraem muitos gênios, tais como o Michael Burry, do Scion Capital, ou o Luis Sthulberger brasileiro do Verde Asset.

Michael Burry tem síndrome de Asperger, uma das formas do espectro do autismo. Já o Luis Sthulberger acredito que não tenha (embora eu nunca tenha visto um vídeo ou um áudio dele). O Luis é altamente low-profile.

Gosto de estudar os maiores gestores de Hedge Fund do mundo, sua biografia, modo de estudar, modo de trabalhar, jeito de se relacionar e de pensar, acredito que com essas informações em mente a gente possa melhorar um pouco também, ademais sou um leitor compulsivo de biografias e de não ficção (não me venha com livros de Harry Potter, senhor dos anéis, 50 tons de cinza e outras coisas desse tipo). Gosto um pouco de ficção científica apenas e o resto do que falei, além dos romances clássicos da literatura universal.

Já falei um pouco sobre os gestores de Hedge Funds e likei vários vídeos deles nesse post aqui: https://frugalsimples.blogspot.com.br/2017/03/aprenda-financas-com-os-gigantes.html e esse é um assunto que gosto de escutar, pois estamos falando dos profissionais mais bem pagos e ouvidos do mercado, e alguns têm resultados espetaculares na gestão dos seus fundos.

Se você leu bem o título do post, estou falando sobre gestores de Hedge Funds, e não apenas de investidores. Mas Frugal, o que é um Hedge Fund?

Um Hedge Fund é um fundo que pode investir em qualquer coisa, basicamente é isso, e com a política que quiser, você simplesmente concorda ou não com a política do fundo e coloca seu dinheiro se quiser, você confia plenamente no gestor para fazer isso. Um Hedge Fund pode ser tão complexo como investir em criptomoedas, urânio, empresas em qualquer lugar do mundo, bonds, debêntures e REITs, fundos imobiliários, empresas falidas, governos falidos e dentre outras coisas, os mais complexos podem fazer operações alavancadas com derivativos, contratos de índices, short, venda descoberta, moedas, bitcoins, trade enfim todas as operações disponíveis no mercado financeiro, tudo que o home broker pode fazer, ou mesmo muito além dele, operações bem mais complexas nas mesas de banco e no mercado OTC. Enfim, um hedge fund pode ser considerada como uma operação financeira aberta, complexa e mutável, claro que desde que o gestor fale isso no prospecto.

Então, veja, não vou falar de Peter Lync, George Soros ou Warren Buffet,  todos são referência global em gestão de investimentos, buy and hold e negócios. Hoje vou falar do cara mais fodástico do Universo e de Wall Street, e me parece que ele é bem desconhecido aqui no Brasil (nunca ouvi ninguém falando dele) e talvez você se interesse e pesquise sobre ele mais um pouco.

O gestor mais fenomenal de Hedge Funds, um gênio brilhante da Física, da Computação, da Matemática e das Finanças se chama Jane Simons.

Dr. Jane Simons




Esqueça essa história de que gênios na bolsa ganham 2% ao mês.

O Hedge Fund gerido pelo Dr. Simons, chamado de Renaissance Technologies é um fundo misterioso e obscurso, fundado em 1982, com média de retorno anual de 71,8% (não estou brincando). Boa parte desses ganhos se deu com trading de futuros.

Caramba! Quase 72% ao ano!?!?!?!?!?!?!?!?!?!

Isso mesmo.

Vamos falar um pouco da biografia do Dr. Simons:

Dr. Simons recebeu seu primeiro doutorado aos 23 anos, aos 26 anos já era analista sênior de quebra de códigos avançados da NSA (National Security Agency), aos 30 anos era o chefe do departamento de Matemática de uma Universidade, professor do MIT e de Harvard, aos 37 ganhou o maior prêmio de geometria do mundo (o Oswald Veblen) , fundou o Renaissance Technologies aos 44 anos, e começou a sua obra de filantropo na caridade aos 56 anos. Além de tudo isso, ele é co-criador de sua própria teoria Chern-Simons theory.




Ah, mas como ele faz isso?
Está aí a pergunta de 1 bilhão de dólares.

O fundo produziu de lucro U$55 bilhões nos últimos 25 anos.
Dr Simons se aposentou do Fundo para viver fazer filantropia, sua fortuna pessoal está avaliada em U$ 12,2 bilhões de dólares.





Em tempo bons, o Renaissance vai muito bem.
Em tempos ruins, o Renaissance detona tudo e todos.
A base da máquina de investimentos e trading do Renaissance são supercomputadores e supersoftwares que têm programas próprios desenvolvidos pelo próprio Simons para operar. O negócio é realmente sinistro. E existem pouquíssimas fontes na internet e mesmo em livros para descrever os mecanismos do que o Renaissance faz. E claro, até hoje ninguém conseguiu quebrar seus códigos ou copiar seu modelo.


Retornos anualizados do Renaissance:






A genialidade de Simons foi direcionada ao mercado financeiro, fez fortuna, ajudou várias pessoas a fazer fortuna, saiu bilionário e hoje se dedica a causas nobres como educação, ensino da matemática, computação e finanças para crianças.

Se você quiser dar uma conferida nesse projeto do Simons clique aqui:
http://www.mathforamerica.org/

Outro projeto bacana é o Museu da Matemática, para ver mais clique aqui: http://momath.org/

Bem, falando sobre Hedge Funds, são investimentos para pessoas mais sofisticadas e que aceitam perdas enormes, riscos enormes de ganhar muito dinheiro assim também como perder, pois no mercado sem risco, sem retorno. Quer segurança? Vai pro tesouro direto.

Simons hoje em dia, juntamente com sua esposa, se dedicam ao próprio instituto, com pesquisa básica em Física, Matemática, Computação, Biologia, pesquisas em Autismo e Cosmologia.

Desconfio com 100% de certeza de que o Dr. Simons é mais um caso de Asperger, ainda mais porque o instituto dele se dedica à pesquisa de autismo.

Para ir no site do instituto dele clique aqui: https://www.simonsfoundation.org/

A própria Forbes colocou Dr. Simons em nonagésimo terceiro mais rico do mundo, à frente do Elon Musk da Tesla Motors e do Eric Schimd do Google.

Simons já doou mais de U$1 bilhão de sua fortuna nos seus projetos de caridade, levando ensino de Matemática para professores e alunos, além de pagar milhares de bolsas escolares para estudantes.

Um gênio, com uma história de vida muito bonita e que deve ser lembrado.

Grande abraço a todos,

Frugal.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Seu dinheiro ou Sua vida. O melhor livro que li em 2016


Seu dinheiro ou sua vida, o clássico dos clássicos, o livro-mãe, um dos 5 melhores livros que já li na vida.

Olá amigos,

Muito bom poder sentar aqui no feriado e poder indicar esse livro e comentar um pouco sobre ele.

Esse livro não sei se tem tradução para o português, eu o li em inglês (tá vendo por que você tem que aprender inglês? Muitas boas fontes de graça. Se não souber inglês vai ficar lendo Gustavo Cerbasi achando que vai aprender alguma coisa). Se você tem celular smartphone ou um PC em casa já tem tudo que precisa pra aprender inglês, só não aprende se não quiser. Diminua sem tempo em redes sociais e vá aprender inglês. Conselho de amigo.

Vicki Robin... Que autor é esse?

Primeiramente, Vicki Robin é uma mulher (eu achava que era um homem).

Vicki Robin foi a primeira pessoa que falou coisas importantes para mim mais nesse sentido, eu diria que ela me tirou da Caverna de Platão. Inclusive fiz um post sobre isso (um dos melhores posts desse blog e um dos mais acessados, para ver clique aqui: https://frugalsimples.blogspot.com.br/2017/03/voce-na-caverna-de-platao.html

Para os amigos blogueiros e entusiastas de Finanças e comportamento eu indico esse livro com 5 estrelas, é dever de qualquer educador financeiro ler esse livro. Se você é um poupador ou investidor, também tem que ler esse livro, para saber a ciência do que está fazendo, como e por quê. Não é um livro de análise de empresas, de bolsas de valores, renda fixa, fundos imobiliários, nada disso. Eu diria que esse é o tipo de livro que você tem que ler antes mesmo de começar a investir um mísero centavo, é um investimento que você faz na sua mentalidade, filosofia e espiritualidade.

Eu gostei tanto desse livro, que se você me perguntasse pra indicar APENAS um livro para uma pessoa ler, sobre finanças, eu diria apenas esse: Your Money or your Life.

Interessante, ano passado eu fiz um post sobre o melhor livro que li em 2015, que você pode ver clicando aqui: https://frugalsimples.blogspot.com.br/2017/03/o-melhor-livro-que-li-em-2015.html
não era um livro de Finanças, mas sim um romance, com muitas lições de vida, de moral, comportamento, sociedade e modo de pensar. A brilhante Ayn Rand, russa, falou como ninguém sobre a liberdade individual e sobre como temos que trilhar nosso próprio caminho.

Não queria resumir o livro Your Money or Your Life pra vocês, porque isso não é o meu objetivo aqui. O objetivo principal é chamar atenção para a leitura do livro (quem puder leia mesmo), o outro objetivo é falar sobre o que o livro fala: Independência Financeira. Sim ela mesma, sempre ela e de fato, o livro vai fazer você entender PROFUNDAMENTE o que é isso, o que seria isso, como seria isso, por que você deveria querer isso e como a sua vida iria se transformar APÓS isso. Era bem engraçado no blog do pobreta ele falando que na IF dele, ia ser Camaro, Panicats, Praias e etc... é uma perspectiva, mas a IF é muito mais além disso, conforme você vai ler no livro.

Falando rapidamente sobre o livro, Vicki nos traz importantes lições para viver a vida de uma forma plena e cheia de realizações, e muitas das coisas que ela falou eu até utilizei aqui para fazer um post inteiro, por exemplo, quando ela disse pra "Fazer as pazes com o seu passado". Utilizei essa simples frase pra fazer esse post: https://frugalsimples.blogspot.com.br/2017/03/nunca-foi-entre-voce-e-os-outros.html e que por sinal gostei muito.

Na vida útil de um blog reconheço que existem bons posts, posts ruins, posts muito básicos, posts pra falar do próprio blogueiro (esses são os que menos gosto), posts "pra dar aula", posts pra entreter, outros engraçados e por aí vai. A gente vai migrando de um para outro de acordo com os dias e o ânimo e disposição, lembrando que isso aqui é voluntário e não dá dinheiro algum, mas como escrevo por prazer e tenho a intenção de ajudar você leitor, para retribuir um pouco a ajuda que já recebi de dezenas de pessoas, é que indico esse livro.

Precisamos de mentores, precisamos de referências, de indicações, de sites, de livros, de aprender maneiras de viver, precisamos preencher lacunas que nossa família não nos ensinou, ou nossa escola, ou nossa faculdade e até mesmo coisas que somente a vida ensina. E dentro de todas essas lacunas achei esse livro que caiu como uma luva. Foi a primeira resposta que tive satisfatória à pergunta interna "Por quê você quer ser rico"? Eu não sabia responder de forma completa à essa pergunta antes de ler esse livro, só imaginava contas pagas, o dia livre e satisfação de não ter que encarar despertador todo dia e dar satisfações a ninguém. Ainda bem que a verdade maior é bem longe disso.

Como a gente mora no Brasil e aqui ser rico é crime e pecado, esse é um livro que vem bem a calhar. Você não precisa ter vergonha de dizer que quer ser rico, e mais do que nunca, depois de ler esse livro não vai ter mais vergonha mesmo! A pequenez alheia, a ignorância e a mediocridade que às vezes nos contaminam irá embora de vez depois que você ler esse livro.

O propósito principal desse livro é transformar a sua relação com o dinheiro. Não apenas essa coisa óbvia de ganhar, gastar, poupar, investir. O propósito disso tudo inclui o TEMPO que todas essas coisas sugam da sua vida e tenha em vista que a sua relação com o dinheiro, sua satisfação e alegria de viver, sua conexão com sua família, seu cônjugue, sua comunidade e com o mundo em si tem muito a ver com isso. Não adianta não fazer ligações entre todas essas coisas, o dinheiro e o tempo que você dispõ no planeta pra fazer as coisas que você gosta e sente prazer.

Claro que você não precisa ser rico pra ser feliz, nem precisa se aposentar cedo e passar a vida na praia sem fazer nada. O que você (e eu) e todos nós precisamos é ter uma boa relação com o dinheiro, com nosso tempo livre, com nosso trabalho, família, amigos e comunidade, assim se vive bem. O livro não é apenas sobre aposentadoria precoce, é sobre a conexão do que seria isso com o restante da sua vida.

Felizmente é um livro muito BÁSICO, que vai ajudar você a se organizar desde o começo, com informações importantes tais como o quanto você ganha por hora de trabalho, o quanto gasta por bem de consumo em núimero de horas de trabalho (duas coisas básicas que as pessoas não se dão conta), o quando qualquer compra pode lhe escravizar, o que é o consumo consciente, o que é ter a sua vida nas suas próprias mãos e por fim o livro lhe ajuda a traçar um caminho, uma rota, um pacote completo de pensamentos, sentimentos e atitudes para transformar a sua forma de pensar. NÃO É AUTO-AJUDA! Que isso fique bem claro!

 É um livro BÁSICO. Não é um livro chato, ou um livro técnico sobre finanças, é um livro leve e tranquilo de ler, com muitas lições valiosas. Eu diria que se você tivesse que ler um livro em 2017, leia esse. Tem pouquíssimas fórmulas, coisa básica de divisão e multiplicação que crianças de 12 anos conseguem fazer.

Esse livro tem mais de 25 anos de publicado já, é um livro de 1992. E é uma pena que não tenha tradução para o português (não tenho certeza), pois o brasileiro médio precisa MUITO ler esse livro.

Se você não sabe inglês, essa é uma ótima oportunidade pra aprender, compra o livro, pega o dicionário ou então o google tradutor e vai em frente (eu prefiro o dicionário de inglês-inglês mesmo, tem em papel pra comprar ou no PC mesmo). É bom aprender inglês lendo um bom texto e com interesse.

Legal pessoal. Não quero me estender muito. A dica está dada. Agora é com vocês.

Bom feriado a todos.

Frugal.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A eterna maldição da Classe Média Brasileira.



Tenho muitos amigos da Classe Média, tenho muito mais amigos e familiares nas classes C-, D e E. E tenho alguns conhecidos classe A e B, B- e B+.

Esqueça a classificação feita pelo governo sobre quem é classe média e quem não é, aquela classificação é simplesmente ridícula.

Enfim, conheço todo tipo de gente, de toda faixa de renda e nível educacional, e conheço bem e muito bem. Nunca vivi numa bolha da pobreza, ou da classe média ou da riqueza (claro que esta última nunca nem entrei).

Eu diria que os primeiros 20 anos da minha vida convivi 90% com pessoas das classes D e E, e até mesmo desempregados e pessoas que vivem de bico. Conheço muito bem a forma e o arranjo que essas pessoas interagem e pensam na vida e os valores que carregam, inclusive são pessoas muito boas, pelo menos para mim, me sinto bastante confortável em conversar com essas pessoas seja na rua ou no trabalho (no trabalho muitas delas são minhas colegas de verdade).

Hoje quero falar mais da Classe Média brasileira, que se assemelha a qualquer outra classe média mundial em termos de comportamento, apesar de culturalmente eu achar a classe média brasileira, doravante, CMB, muito inferior à americana ou européia.



O engraçado é que o sonho do pobre é ser classe média. Ser classe média é o objetivo da maioria. É muito mais fácil encontrar um pobre querendo ser classe média do que pular diretamente para a riqueza e uma vida de afluência. É bacana isso até, o pobre querer melhorar de vida e ter acesso a bens de consumo não-duráveis que são o marco da classe média com seu consumismo irresponsável. Para o pobre, ser rico às vezes é dispor de bens de consumo como carros, imóveis, objetos do lar, escola privada e plano de saúde, coisa que vêem nos filmes americanos ou novelas brasileiras.

A minha definição de classe média é: pessoas com curso superior, que trabalham, ganham bem, gastam muito, dispõe de vários bens de consumo, costumam comprar roupas de grifes, viajam com frequência, jantam fora de casa por motivos de lazer, vão às compras com frequência para comprar supérfluos, viajam ao exterior pelo menos 1 vez a cada dois ou três anos, pagam plano de saúde e colégio privado para os filhos. Se fosse chutar um nível de renda, eu chutaria que no mínimo o indivíduo de classe média no Brasil ganha uns R$ 4500 líquidos pra cima (não adianta força a barra dizendo que quem ganha R$2 mil líquido é classe média, eu não sou petista safado pra dizer um absurdo desses). Um casal sem filhos que ganha uns 7k somados também eu poderia dizer que são classe média. Além de tudo isso não tem uma reserva de emergência na poupança e nem ativos financeiros de nenhuma qualidade.

Vamos falar aqui sobre a maldição da classe média.

Por quê a classe média é amaldiçoada?

Primeiramente porque a Marilena Chauí (PT-SP) odeia a classe média. Como pode ser visto aqui: https://www.youtube.com/watch?v=lbzu9yvC4sw

Mas deixando a canalhice e a tirania de lado...
Bem, eu considero a classe média amaldiçoada porque geralmente as pessoas dessa classe vão trabalhar até morrer muito provavelmente. Além disso não vão conseguir manter o padrão de vida na velhice, vão ter que ajudar a sustentar filhos adultos e/ou netos e vão viver com muita dificuldade na velhice, talvez inclusive se mudando para imóveis de padrão mais baixo ou tendo que se mudar de cidade devido ao preço caro das capitais e regiões metropolitanas.


Outra parte da coisa toda é girar a roda do hamster a vida toda e não sair do lugar, muita intensidade e pressão, stress, décadas de trabalho para ficar sempre no mesmo lugar. O indivíduo da classe média muitas vezes dispõe de tempo livre mas não o aproveita eficientemente, melhorando currículo, inglês, cursos extras, cursos on-line, pequenos negócios, leitura de livros clássicos ou básicos, e assim fica parado no tempo.

O governo chamando você de classe média...

Conheço DEZENAS DE PESSOAS da classe média PARADAS NO TEMPO.

Se você acha que é da classe média e chegou até aqui, não páre no tempo. Quem fica parado no tempo, mais cedo ou mais tarde vai ficar para trás. Um dos problemas da classe média é achar que “já venceu na vida”, que já tem educação e ganha bem o suficiente para seguir em frente na vida. Mas não é bem assim, o mundo muda rápido, novos produtos e serviços surgem o tempo todo, margens caem, pessoas ficam bem mais informadas hoje em dia o tempo todo, setores inteiros da economia estão ameaçados como bancos, táxis, indústria do petróleo, até mesmo a classe política começo a achar que está ameaçada, câmaras de vereadores pagando apenas um salário mínimo pro vereador e por aí vai… Resumindo, você não está garantido. Seja lá quem você for ou no que trabalhar. Todo tempo novos serviços e produtos vão engolindo setores velhos e você pode ser pego com as calças na mão.

Olhe o exemplo dos taxistas, estão perdendo seu negócio para o Uber, veja que tem taxista que tem 5-20 veículos, tem família inteira que tem 4 taxistas dentro de casa. Hotel? Olha o airbnb aí. São apenas exemplos de como sua vida não está garantida, mesmo num mercado protegido.



O problema não é ser classe média, é gastar muito, consumir muito, não poupar e investir pro futuro e ficar parado no tempo. Mas infelizmente as pessoas da classe média atolam nisso aí que falei. Gastam muito, são reféns de grifes, de viagens, de itens supérfluos, de trocas frequentes de veículos, de morar num lugar que não podem (e por isso fazem financiamento), vivem no aperto com uma dezena de boletos mensais para pagar e se vier o desemprego ou uma baixa na remuneração já ficam no vermelho, esse é o padrão brasileiro de classe média.

De uns 20 anos pra cá com acesso ao curso superior e com a melhora do mercado brasileiro, muitos filhos de pessoas pobres entraram na classe média, inclusive via concursos públicos, esse pessoal é meio deslumbrado demais e consumista demais, parece que querem compensar uma infância e adolescência de privação com um consumo desenfreado, viagens, postagens em redes sociais e por aí vai. Enfim essas pessoas querem se autoafirmar como vencedoras e mostrar que venceram na vida, de certa forma venceram sim, se o seu padrão de vida é superior ao do seus pais de certa forma sua família evolui, mas isso tem que ter um sentido, não adianta só gastar dinheiro por gastar pra mostrar que está bem, isso é muito infantil e não lhe garante um futuro decente.

Um dos problemas do Brasil é que temos uma economia boa muito recente, nossa classe média ainda é muito iletrada e ignorante. Ganhou um pouco de dinheiro e crédito no banco mas não teve uma educação de base e aí ficam se achando ricos e querendo gastar e ostentar. Não é como uma classe média americana que já era filho de classe média ou mesmo a classe média européia que apesar de nem ter tanto dinheiro assim pelo menos é bem educada. A classe média do Brasil é muito deslumbrada e sem base alguma, vive com a cabeça nas nuvens e os pés na lama.


Semana passada eu estava com um amigo no trabalho que me confessou estar TREMENDAMENTE ENDIVIDADO, pensando em vender a casa (dessas de condomínio fechado de valor de mais de R$ 2 milhões) para fechar as contas, pagar as dívidas, se mudar pra um ap de 300 ou 400k e viver gastando menos. Entre uma palavra e outra o colega pergunta se eu quero pedir um delivery para almoçar, tipo uma carne que iria dar R$40 pra cada um. 

Eu: meo, já vou negar isso, isso é muito caro pra um almoço, vou comer minha marmita e dar o exemplo. O cara endividado em mais de 500k pagando financiamento de carro e pedindo delivery de 40 reais pra almoçar, podendo simplesmente comer no bandejão de graça daqui ou então trazer marmita de casa. É isso que não entra na minha cabeça. Eu acho que quando você está num buraco a primeira coisa que você tem que fazer é parar de cavar.

Eu mesmo estou lutando para baixar a fatura do meu cartão de crédito e vou conseguir, dei uma afrouxada em janeiro e fevereiro, viajei e agora as faturas estão chegando meio altas (de nada, LATAM). Não quero passar o resto da minha vida puto toda vez que vejo a fatura do meu cartão no meu email, não nasci pra ser uma máquina de trabalhar e consumir e ser um pagador de fatura de cartão de crédito, eu nasci para ser livre dessas preocupações banais. Ficar puto quando vê a fatura do cartão de crédito é um sinal de fraqueza, burrice, humilhação, ignorância e descontrole mental, financeiro e emocional. Se isso acontece com você, revise seu modo de viver.

Esse mês meu aporte vai ser bem magro (em relação à média), só uns 3,7k + os dividendos que vou receber durante o mês (perto de 4k). E isso me fez pensar muito, não é hora pra frear meus planos, nem por um momento, o fato é que deixei de receber um dinheiro bom esse mês para receber ele um pouco mais na frente parcelado para ajudar nas contas da empresa. 2017 é ano de foco e crescimento total, sem delongas e sem desculpas. Meu objetivo é terminar o ano com 56% da estrada concluída até a IF e estou atualmente em 40%, então caminhar 16% num único ano será um passo gigantesco.

Legal, Frugal, você falou e falou e falou, eu concordo um pouco, discordo um pouco mas e aí? O que fazer então? Quais lições posso tirar disso?

Bem, se você for pobre, faça com que saia da pobreza direto para a riqueza, sem passar pela classe média. Se você entrar no clima de classe média dificilmente vai sair dela. E isso é perfeitamente possível.

Se você for classe média, evite os comportamentos prejudiciais dessa classe, aproveite que tem dinheiro e internet, pague cursos, leia livros, invista em você, gaste menos (muito menos) e se prepare para sua aposentadoria e a depender cada vez menos da renda do seu trabalho.

Grande abraço,

Frugal