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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

E se eu morrer hoje?


Só vive bem quem se prepara para a morte.

Você não pode viver fingindo que a morte não existe, ou tapando o sol com a peneira. A morte é um fenômeno natural e vai acontecer implacavelmente para todos nós, para nossos amigos e familiares, para todos os animais vivos.

Vida e morte começam ao mesmo tempo no momento da concepção, não existe morte onde não existe vida, e onde existir vida existirá a morte.

Já há alguns anos eu li muita coisa sobre vida e morte e posso dizer que atualmente sou uma pessoa bem resolvida nesse assunto. A morte não me assusta e nem me dá medo. Eu não sou religioso e não tenho religião, também não acredito em nada sobrenatural, em nenhuma divindade ou em algum ser criador do mundo (já tive passado religioso, família evangélica de um lado e muito católica do outro, já fui pra centenas de missas e dezenas de cultos evangélicos). Já li consideravelmente boa parte da Bíblia cristã e também outros livros religiosos, além de muita Filosofia.

Gosto bastante da abordagem de Epicuro, uma frase dele é essencial para entender o epicurismo: "Onde a morte está, eu não estou, onde eu estou, a morte não está". Ela deixa bem claro que a nossa consciência nunca se encontrará na morte, pois não saberemos quando estaremos mortos, de forma que nesse sentido morrer é igual a dormir, a gente não sabe quando tá dormindo, você não pensa "eu vou dormir agora, estou dormindo, e se sente dormindo".

E podem acreditar, hoje em dia eu passei a valorizar muito mais a vida depois de viver isso, ler sobre isso e tentar me achar em algum lugar sobre isso, com as minhas próprias conclusões sobre isso.

A questão aqui é: não é que eu não tenha medo da morte, ou do que acontece depois dela, depois da morte do corpo para mim, tudo acabou, é o ponto final da nossa consciência no universo, isso pra mim é ponto pacífico. Não que eu não me importe em morrer, eu quero adiar isso o máximo possível pois eu amo viver a vida, é uma dádiva, um milagre, uma improbabilidade matemática e biológica inimaginável termos nascido e termos consciência e saúde para aproveitar a nossa estadia fugaz no planeta. Eu aceito que a morte faz parte da vida e que isso vai acontecer.

Quer um conselho? Faça as pazes com a sua morte. Ela vai acontecer, quer você queira ou não, então procure viver e honrar a sua vida aqui, agora, nesse momento e nessa existência, procure fazer do mundo um lugar melhor para a sua família, sua comunidade e quem passa pelo seu caminho, assim você poderá encontrar um pouco de paz.

Somos programados geneticamente para morrer. Eu poderia me aprofundar mais sobre isso mas como os leitores aqui não são da área biológica, apenas entendam isso, algumas de nossas células são programadas para se reproduzir apenas 50x e depois disso não mais.

Esse não é um post sobre filosofia ou sobre biologia, mas sobre como você deve encarar a sua vida, com a perspectiva real e concreta que vai morrer um dia. Não fuja disso, processe isso e aceite.

Apesar de minha pouca idade (quase 35) já perdi alguns amigos e familiares, amigos de infância (ainda na infância), da rua, do colégio, da faculdade, etc... e tem uma história muito especial que talvez um dia eu conte aqui. Eu nunca deixei de pensar bastante sobre cada uma dessas perdas e de como cada uma delas mudou um pouco como pessoa e sobre como eu poderia continuar seguindo a minha vida.

Vamos responder a pergunta do post.

"E se eu morrer hoje"? - Faça uma reflexão.

A sua vida está feliz para você? Está valendo a pena ser vivida? Você está vivendo ou está no caminho da realização dos seus sonhos?

Acho que isso é importante. Muito mais do que a dúvida boboca entre "viver" ou poupar, como se uma vida boa fosse uma maratona de consumismo que não leva a nada.

Atualmente eu vivo para o trabalho, como vocês sabem, mas isso é só uma fase, e como toda fase, vai passar. Eu não vou viver o meu estilo de vida atual para sempre, isso faz parte de um planejamento. E se eu morrer hoje? Morrerei vivendo uma vida feliz e dentro do planejado, mesmo que atribulada e sem muito lazer, vou morrer no meio de uma fase difícil, mas fazer o quê? Você não pode interromper seus planos devido ao fato que pode morrer imediatamente. Dessa forma ninguém precisaria ir para a escola, ou faculdade ou ao trabalho e o mundo viraria um caos. Ninguém ia se preparar para ganhar uma medalha olímpica.

Quando você se encontrar na sua missão, viva a sua missão, independente da morte, se ela chegar, você não vai saber depois de morto.

"Ah, mas morreu com 4 milhões na conta, adiantou de alguma coisa?" Essa frase é de uma afirmação tão idiota que acho que o nível dos leitores desse blog já superou isso - ainda bem, como se dinheiro, patrimônio e evitar consumos inúteis ou consumir muito fossem sinais de ter vivido uma boa vida. Viva uma boa vida e morra com patrimônio, qual o problema?

Silvio Santos vai morrer rico, Bill Gates vai morrer rico, J. D. Rockfeller morreu rico, assim como J.P Morgan, Thomas Eddison e milhares de outras pessoas. Eles não viveram uma vida bem vivida por terem morrido ricos? Claro que viveram.

Morrer pobre não quer dizer que você viveu uma vida feliz, talvez o contrário. Viver uma velhice miserável deve ser uma coisa horrível, passar os últimos anos de nossas vidas em necessidades básicas como teto, água e comida sem segurança alguma.

Deixar de ficar rico porque "quer aproveitar a vida" é de uma ingenuidade e infantilidade sem tamanho. É o tal do deslumbramento da nova classe média e dos novos ricos do Brasil, gente que ganha muito mais dinheiro do que os pais, mas gastam tudo e vão morrer mais pobres que os pais, e sem ajudar esses.

Se você fizer a coisa certa, vai ver que quanto mais o tempo passar, mais vai ganhar, mais vai gastar, mais vai poupar e mais vai investir. Essa é a evolução natural de quem estuda, trabalha e investe bem: Seu nível de vida vai subir, seus ganhos, seu conforto, seus investimentos e seus gastos. Toda a régua sobe.

Quando eu mal tinha dinheiro para ir para a praia (ônibus + lanche) eu ia de bicicleta velha, por entre bairros perigosos e violentos, dividindo a pista com carros, lama, buracos e ônibus, a corrente caindo, bicicleta sem marcha, de sair de casa 6h da manhã e chega na praia quase 8h, mas a praia estava ali, e eu aproveitava, tinha dois reais pra gastar com pastel de 10 centavos, picolé de gêlo e até um pequeno refrigerante. Eu saía de casa feliz e voltava mais feliz ainda, porque eu tinha feito o que eu queria e tinha dado certo, com uma bicicleta velha e R$2 reais. Essa história é literal, não estou aumentando ou diminuindo nada.

Faça seu caminho todo dia, aproveite, ria, conte piada, estude, trabalhe, tire férias, viaje, leia, ame, viva, faça esportes, tenha boas relações com seus familiares, olhe nos olhos, escute as pessoas verdadeiramente, dê bom dia, boa tarde e boa noite, ganhe dinheiro, gaste dinheiro, poupe e invista, conquiste seus sonhos ou viva um pouco deles se puder. Você não precisa comprar uma casa no Hawaii na beira da praia para ser feliz, mas você pode passar duas semanas por lá em um dado ano da sua vida.

Esse ano eu realizei um sonho da minha vida, um sonho da minha infância, começou ainda na leitura de O mundo de Sophia, eu conheci a Escandinávia. Foi um dos vários sonhos que pude realizar depois de mais de uma década de trabalho. Eu ainda vou voltar lá novamente, quero ir para o interior, mais ao norte, quero ir no extremo norte da Noruega, quero andar até o limite em cima do gêlo, sentar, ver o mar revolto e pensar sobre mim.

Não dá pra fazer tudo ao mesmo tempo, abraçar o mundo com as mãos, conhecer os EUA, a Europa e a Oceania sem se comprometer profissionalmente ou o seu patrimônio, mas quem sabe em uma década conhecer esses três? É possível? Sim. E se eu morrer? Não tem problema. A minha história pessoal apenas terá sido interrompida por um fenômeno natural, isso não deve me paralisar para viver a vida como eu quero.

O mundo que você deseja está aqui, ele é seu, você está na Terra, há menos que você queria ir para o planeta Marte, todo o resto que você sonhou em fazer por aqui ainda poderá com alguma chance fazer, escalar montanhar, mergulhar em Fernando de Noronha, conhecer o Japão ou o Alaska. Não precisa ser rico para fazer isso, nem ter independência financeira e mesmo que você esteja muito longe disso como um dia eu já estive, ainda há um caminho e um preço a pagar por ele, mas você pode ser divertir e fazer outras coisas no caminho, não precisa ser chato, doloroso ou tedioso.

Eu era feliz mesmo com muito pouco, passei privações, sim, assim como meus pais e avós do sertão do nordeste brasileiro, mas nem por isso ficamos paralisados. Pessoas são felizes com muito pouco também, talvez até mais satisfeitas e felizes do que pessoas altamente sofisticadas em grandes prédios de Nova Iorque com lindos janelões de vidro.

Não existe dúvida entre viver ou poupar, gastar agora ou depois, morrer rico ou pobre, consumir agora ou depois, isso é muito primário. Você tem que viver de forma que fique feliz com sua vida no presente e se prepare racionalmente e conscientemente para o futuro, tenha um plano razoável e trabalhe por ele, não seja inconsequente ou imediatista, não se prive de pequenos prazeres e tenha cuidado com os grandes prazeres e grandes decisões como a compra de um imóvel, um casamento, um filho ou mais de um, ou até nenhum, uma mudança de cidade devido a um emprego novo ou um projeto de emigração, esses momentos podem ser decisivos para algumas próximas décadas da sua vida, dá pra voltar atrás em alguns? Dá sim, mas terá um custo muito pesado em dinheiro ou tempo, tenha cuidado nos grandes movimentos.

Essa semana me lembrei do VDC e do que algumas pessoas falaram sobre ele, e que provavelmente e certamente falariam sobre mim se eu morresse essa semana, os comentários jocosos de quem ainda não se entregou na sua caminhada pessoal sempre estarão lá, assim como estão em qualquer notícia de jornal no Facebook e se você não tem cuidado ou tem a cabeça fraca pode ser que se influencie um pouquinho. A internet e as redes sociais tem muita coisa pra lhe puxar pra baixo, e principalmente palavras de pessoas negativas e que vivem vidas amargas em muitos sentidos.

Eu não preciso dizer que a maioria da população brasileira tem uma vida caótica, dívidas, famílias destruídas, empregos ruins, péssimas experiências amorosas, infelicidade no trabalho, falta de perspectiva no futuro e muito rancor no coração de não ter mais bens materiais ou mais felicidade no lar, e essas pessoas destilam a sua raiva nas redes sociais e também pessoalmente, reclamando de tudo, do prefeito, do presidente e do Brasil, ou talvez até do mundo (olha o nível, uma pessoa está reclamando do MUNDO, simplesmente do MUNDO), como se o MUNDO nos devesse alguma coisa ou como se fosse uma entidade viva.

Ninguém nos deve nada, nem o mundo, nem o governo e nem a nossa família, talvez só um pouco de proteção nos primeiros anos de vida, teto, comida, segurança, educação e carinho, agora não venha depois de adulto achando que alguém lhe deve alguma coisa.

Você é o único responsável pela sua vida, principalmente se você já tiver mais de 18 anos e tiver lido até aqui. Enquanto você não aceitar isso vai ser um frustrado infeliz.

Se você morrer hoje, tente fazer com que talvez, nos últimos segundos de sua consciência, você lembre que viveu uma boa vida, fez as coisas que você queria, tentou ser feliz e fazer os outros felizes, perdoou, se divertiu com seus amigos, com sua família, amou e foi amado, o resto é secundário, se você tiver R$500 reais numa conta ou R$ 50 milhões não irá importar, pode ter certeza.

Finalizando o post, não importa se você morrer hoje, amanhã ou mês que vem. Vá vivendo a vida, com o que tiver, onde estiver, faça o que puder ser feito, com as pessoas que estão a sua volta e vá escrevendo a sua história e caminhando no seu caminho, vivendo a sua própria consciência. A morte chegará inevitavelmente e não adianta fugir dela ou fantasiar que nunca vai acontecer.

Então se eu morrer hoje, tudo bem, iria acontecer cedo ou tarde, mas pelo menos eu tentei viver a minha vida da forma como me foi dada e fiz o que pude pra transformar ela para o meu próprio bem e também dos outros que me cercam, e isso me satisfez sempre. Não se vá insatisfeito.

Grande abraço a todos.
Frugal.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Minha Holding Frug3.SA Fevereiro/2020 R$507.660,00 (+14,59%)



Olá amigos, vamos para mais uma atualização do patrimônio financeiro.

Janeiro e fevereiro fiz dois aportes bons, no total de 51k.

Se não fossem as minhas anotações eu iria achar que estava aportando bem menos.

Pra variar, minha carteira só cresce com aporte, como sempre, não sei o que é pegar uma alta do mercado, mas tudo bem, vou fingir que não ligo pra isso, o lado bom é que dá pra comprar algumas ações a um preço bom (saudade de comprar mil ações do BB por R$16000,00, época boa e que não mais voltará, quem quiser comprar mil ações do BB agora, estão custando R$51000,00), o preço de um carro popular zero km. Eis o poder dos juros compostos na sua cara.

Comprei Cosan, Vulcabrás, Bradesco e Sanepar agora em Fevereiro.

Estou tentando comprar apenas 10k de cada ação da minha carteira, todas elas estão com o mesmo peso. Atualmente tenho 41 empresas na carteira e para completá-la ainda faltam umas 25, de forma que talvez, daqui pro fim do ano eu consiga comprar todas, se tudo der certo. Dessa forma, o primeiro ciclo da carteira terá 410k em aportes, com exceção de algumas poucas empresas que já passaram disso por serem antigas no portfolio.

Tenho ainda 90k na RF nos debentures CEMIG e na RE no RDC da minha cooperativa 26k.

Segue imagem da carteira global, se quiser ver melhor dê um clique aí pra ver se abre maior.



Em laranja estão os ETFs na Irlanda. Esse $ é dólar que tenho na minha conta do BB Americas.

Coloquei Petr3 na carteira (coisa que nunca cogitei até 2020), e será o aporte do próximo mês junto com o resto de Vulcabrás e Cosan, além de SMAC11.

Com o dólar nas alturas não há a menor possibilidade de aporte pro exterior. Prefiro ir alimentando a minha carteira daqui.

Coloquei SMAC11 na carteira e retirei SMAL11, nunca tinha comprado mesmo. O Itaú está virando também um gestor de ETF assim como é a Black Rocks e isso está gerando além de receita pro Itaú, uma baixa nas taxas de adm dos ETFs. É muito difícil analisar small caps, quem finge que sabe apenas finge. Small Caps no Brasil, na verdade são nanocaps a nível global, alto risco e alto retorno. O rendimento do Índice SMALL sobre o IBx-50 foi muito grande na última década, como segue pelo gráfico desde 2009. Valorizou quase 500% em 10 anos e ainda está num preço bom.





O Banco Inter ainda não lançou o ETF de fiis, que por sinal IFIX tá bem esticado e yields muito baixos. Só vejo sentido em aportar em fiis via esse ETF ou então ir comprando no automático replicando o IFIX "no braço" coisa que já pensei, dada a demora desse ETF sair (o Inter tinha prometido para Janeiro, será que desistiram?). Vamos ter que esperar.

Apesar de todo mundo bater em Cielo atualmente, ainda a considero muito e o valuation atual está bom (esqueça preço). O lucro da Rede (adquirente laranja do Itaú também caiu, 20%) e a operação do SafraPay simplesmente não dá lucro algum pro Safra.

Com o andamento do tempo, minha carteira no BR vai se concentrar nas stocks individuais como sendo o meu ETF próprio, em substituição a comprar o PIBB11 por exemplo pois quero dispor dos dividendos. Esse meu ETF automático vou postar aqui e explicar depois.

Também o ETF SMAC11 e o BBSD11, além do de fiis, quando este sair.

Lá fora tenho uns 20 etfs para comprar quando o dólar baixar, sem pressa alguma, além de algumas stocks mais globais para complementar a minha carteira de ações daqui.

Cada mês que passa a tranquilidade aumenta mais um pouco.
Esqueci de comprar bitcoin mais uma vez.
Temporada de balanços é uma barulheira danada.
Empresas que gosto como Banco do Brasil, Itaú e Bradesco continuam bombando como sempre e ainda estão num preço muito bom.

Carnaval vou pro litoral do nordeste descansar. A pressão do trabalho e a minha carga horária de escravo judeu no Egito estão muito cansativas, mas é assim mesmo, pior foi quem passou lutando como soldado na segunda guerra mundial de 1939-1935 como o Ken Miles, piloto de carro de corrida vivido nas telas por Cristian Bale no belíssimo filme Ford vs Ferrari, o melhor filme que vi ultimamente, quem ainda não viu veja. Filmaço!

Abraços a todos e bom Carnaval!
Frugal.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Fechamento Janeiro/2020 R$28919,00


Alegria de pobre dura pouco.

Depois do resultado acachapante de Dezembro veio esse balde de água fria pra Janeiro. Mês longo, mas o trabalho e os clientes começaram mais seriamente a partir da segunda quinzena. Acho que a ressaca do Ano Novo durou demais.

O resultado foi duramente impactado por algumas rescisões trabalhistas, além da desocupação de quase 50% da parte que coloquei pra alugar no imóvel ano passado, mesmo assim não justifica tanta queda em relação à média. Ainda vou ter que examinar todos os números com lupa e na planilha pra ver onde está o escape. Como nossas vendas e despesas são altamente variáveis, acontece às vezes a tempestade imperfeita de gastar muito num mês onde não se vendeu quase nada, é aí onde estivemos em Janeiro.

A franqueadora vendeu outra unidade da minha marca aqui na minha cidade, o que não está sendo nada agradável e quero ver como o negócio vai se comportar esse ano, já inauguraram e os impactos serão sentidos ao longo dos meses, alguns disseram que era bom, que vai dar mais publicidade, que vou ter ganhos secundários mas desconfio muito. De qualquer forma eu não tinha contrato de exclusividade no município e fiquei com vontade de desistir por causa disso, mas não sei porque fui em frente (quem me dera ter desistido na hora).

Como eu já disse aqui, vender franquia é o melhor negócio do mundo, é risco zero e dinheiro no bolso, os franqueados que lutem e se danem pelo seu espaço e sobrevivência, se um ou outro falir, basta vender o mesmo projeto novamente para outra pessoa e ela que se esforce para manter o negócio de pé.

Com essas rescisões vem o desafio do recomeço de retreinar mais pessoas e esperar resultados parecidos, mas isso é totalmente imprevisível, assim como a fidelidade e lealdade dos funcionários, muitos são levados até pela concorrência por uns trocados a mais, mas por mim tudo bem, sem "hard feelings", cada um que siga sua vida como achar que deve ser. Você dá carona, dá vale, ajuda no que pode e até compra eletrodomésticos para a pessoa no seu próprio cartão de crédito para ajudar, mas ganha esse tipo de coisa em sinal de gratidão. Acontece e faz parte.

O começo do ano renova as esperanças, é o começo de um novo ciclo onde podemos ser mais e fazer mais, e assim espero que seja. Já tomei muita lapada com esse lucro pequeno, perda de funcionários e escolher nova equipe. Demorei até pra atualizar o blog pois estou me sentindo muito sem tempo, mas sempre que posso dou uma passado no meu blogroll e comento no blog dos amigos.

Carnaval como não sou de ferro e já trabalhei Natal e Ano Novo, vou dar uma viajado ao litoral, ficar com a família e relaxar. Quem sabe não trago novidade boa por aqui.

Grande abraço,
Frugal.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Na Raça.



Na Raça, Guilherme Benchimol e a criação da XP.




Olá amigos, hoje vou falar desse livro biografia (ainda que cedo) do Guilherme Benchimol e da história da criação da XP.

Eu gosto muito de ler biografias e livros de não-ficção e dado o tamanho da figura e da corretora no mercado brasileiro, esse eu não poderia deixar de ler.

O título chamou muito minha atenção e me fez lembrar de minha própria história pessoal, em saber como vou vencer todas as adversidades e todas as limitações que tenho hoje sem dispor de quase nenhuma ferramenta, eis que a resposta sempre foi a mesma que o Guilherme deu para quem perguntou a ele: Na raça!

O livro é muito bem escrito, lembrou bem o Sonho Grande da Cristiane Pacheco. Apesar dessa Maria Luíza parecer bem nova pela foto, ela deu conta do recado e sua narração em terceira pessoa foi muito magnética, de maneira que numa tirada de umas 6h eu já tinha lido 80% do livro, e depois concluí no outro dia.

Eu achava que o livro iria ser uma babação em cima do Guilherme e também em cima da XP, mas não foi, ainda bem. É muito bom estar errado de vez em quando.

O pai do Guilherme é médico cardiologista no RJ, mas nem por isso a vida dele foi fácil. Me deu a impressão de que o pai dele poderia ajudar muito mais, mas não sei porque que o coroa não ajudou tanto quanto poderia, talvez estratégia dele.

O fato é que Guilherme fez Economia na UFRJ (curso beeemmmmm acadêmico e com aquele viés de universidade federal, nada sofisticado para o mercado) e depois foi pedir emprego a quem desse, bancos, corretoras e etc. gastou muita sola de sapato, trabalhou no back office, foi demitido, teve um péssimo começo de carreira até resolveu se mudar para Porto Alegre, onde fundou a XP numa salinha dentro de uma outra empresa que ele trabalhava, com computadores velhos comprados de uma lan house falida. A vida dele teve muitos altos e baixos, muito bom ler esse livro, recomendo a leitura.

A Xp começou a tomar corpo com o trabalho dos agentes autônomos de investimentos e também com cursos sobre bolsa, daí foi só multiplicar e replicar o que tava dando certo para outras cidades, tudo começando pelo RS e SC.

O livro fala de todas as fases da XP, entradas e saídas de sócios, o namoro, casamento, separação e reconciliação do Guilherme com a sua esposa (que foi a primeira funcionária dele), todas as fusões, aquisições, vendas de controle, crescimento e o quanto ele trabalho por isso, e também um pouco do seu estilo pessoal.

Particularmente eu nunca fui fã da XP e nem do Guilherme, sempre acompanhei de longe e tinha certa repulsa pela identidade visual da empresa e pelo site complicado, preto e impessoal. Minha única corretora sempre foi a Rico, e ela mesma foi comprada pela XP por R$209 milhões de reais, aumentou os preços para tudo e só baixou recentemente.

O que mais me chama atenção na história toda é que no mercado financeiro as pessoas começam a trabalhar muito cedo, se formam cedo nas faculdades e lá pros 30 anos de idade já são sócios e diretores de bancos, corretoras e assets, o que é impensável numa carreira no ramo de saúde como é a minha.

O ramo de saúde é muito complicado. Todos os cursos são longos, as especializações também, muitas são difíceis de entrar ou muito caras, tem muita concorrência e os enormes custos para seguir sozinho para um consultório, num projeto totalmente sem escalabilidade alguma. Todo o esforço e dedicação na área da saúde, com muitos anos de estudo e trabalho podem dar literalmente em nada. Eu até que me saí bem, mas meu esforço até hoje é sobre-humano, me formei em 2009 e trabalhei sempre igual um escravo judeu no Egito, incluindo finais de semana, feriados e longas noites sem dormir.

Lendo esse livro eu fiquei pensando que se todo o meu esforço inicial tivesse sido colocado em Economia e eu seguisse carreira no mercado se eu não poderia estar bem melhor na vida hoje, afinal de contas é só colocar paixão, trabalho, dedicação e diligência em qualquer área que você vai chegar muito longe inevitavelmente.

Guilherme era um cara frugal. Com mais de R$100 milhões de reais na conta, ele pegou o primeiro vôo em classe executiva. Nunca foi de se exibir em redes sociais, não pagava um reembolso a ninguém, viveu pro trabalho e para a XP.

Esse incansável e obstinado objetivo de crescer, melhorar, bater metas, atingir resultados e prosperar é que fez ele ser o que é hoje, de quebrado há 16 anos atrás a bilionário, sendo o principal acionista de uma empresa listada na Nasdaq aos 40 anos de idade, muito novo portanto.

Aconselho a leitura do livro para que vocês possam se inspirar um pouco. O cara saiu praticamente do nada e chegou onde ele chegou, e isso tem que ser lido. Isso sem ajuda ou contratos com o governo, propinas ou favores políticos tal qual o Eike Batista e o Império X que ruiu e todo mundo foi pra cadeia ou está atolado na Lava-Jato.

A história de Benchimol, é o conto de um self made man que venceu o sistema e zerou a vida ainda aos 40 anos, gerando valor e renda para milhares de pessoas, desafiando gigantes como Itaú, BTG, Bradesco e muito mais.

O livro custou 49 reais na Saraiva, mas tem ele em PDF por aí ou 22 reais na Amazon pra ler no kindle. Eu comprei em paperback porque vou sair emprestando ele por aqui. Na minha opinião vale a pena. Fica aqui a dica de leitura.

Grande abraço,
Frugal.