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quinta-feira, 23 de março de 2017

O triunfo do investimento em ETFs passivos de índices

Primeiramente tenha em mente que nem sempre um ETF segue um índice, hoje em dia o ETF virou moda e é utilizado até para fazer trade, assim como etfs de setores específicos ou de produtos, setores, modas e tendências específicas. Existe até etf reverso, etf de “short”, etf de commodities e por aí vai. Também saiba que mesmo que um ETF supostamente siga um “índice” esse tal “índice” pode ser considerado um “índice” de fato.
Por exemplo, um ETF que siga o “índice” do setor financeiro do Brasil, não é de fato um ETF de índex, e sim um etf de setor. Quando eu me referir a ETF de índex tenha em mente um ETF de um mercado completo, e, quanto maior melhor.
Eu diria que para o Buy and Hold (você e eu) existem TRÊS formas de investir.
1 – Comprar um índice passivo de mercado ex.: VTI ou PIBB11.
2 – Comprando cotas de fundos ativos (geridos por profissionais).
3 – Montando sua carteira pessoal de ações e ir estudando, comprando, analisando e eventualmente vendendo alguma empresa que não atende mais seus critérios.
A forma número 1 é a mais passiva, barata, lerda, sem emoção e vencedora. (index funds)
A forma número 2 é a mais cara (muito mais cara), tem jeito de sofisticada e retorno medíocre ou mesmo ruim (na esmagadora maioria das vezes). (active investing by professionals)
A forma número 3 é a mais sofisticada, necessita de acompanhamento e estudo, conhecimento, gasta muito o seu precioso tempo, pode ser potencialmente lucrativa, medíocre ou mesmo péssima se você não souber MUITO BEM o que está fazendo. (active investing by amateurs)
Eu estou logicamente puxando a brasa para a sardinha dos índices passivos, claro que existem Peter Lynch, Buffet, Luis Sthulberg e o fundo Verde no Brasil para me dizerem que não é bem assim. Também existem investidores individuais anônimos vencedores por aí, mas é bastante difícil achar esse pessoal e colocar eles num estudo.
Não vou focar nas exceções, vou focar na média, e também até um pouco além da média, as exceções dos active investing vão pouco além dos 5% finais da curva de Gauss.
Desde que John Bogle fundou a Vanguard e se tornou o vilão de Wall Street, que esse debate existe. São já quase décadas de debates e já temos muitos resultados na mão para lançar na disputa. Agora como esse post não é apenas de achismo, e sim do que os fatos falam, vamos aos fatos.
Um dos segredos da estratégia vencedora do investimento passivo é o custo eficiente em impostos (cost efficiency)  e as baixas taxas de administração (low rates). O dinheiro dos investidores que compram fundos de índice vai comprar e seguir todas as ações de um índice, a um baixo custo, e raramente vendendo empresas (o que evita o imposto sobre o ganho de capital), da mesma forma o ETF passivo com pouco ou zero yield não é taxado no IR (imposto de renda) do leão americano (no Brasil os dividendos são “isentos” de impostos mas a carga tributária total em cima das empresas é maior do que lá fora – assunto para outro post).
A imagem abaixo mostra a porcentagem de fundos ativos que foram batidos pelo index, os fundos ativos de ações estão em azul, em laranja os fundos ativos com bonds de empresas com alto yield e em cinza fundos ativos de reits.
Se quiser ser um pouquinho mais amplo veja as últimas barras da direita:
83% dos fundos ativos de ações foram batidos pelo mercado de 2006-15.
94% dos fundos ativos de bonds foram batidos pelo mercado de 2006-15.
86% dos fundos ativos de reits foram batidos pelo mercado de 2006-15.
Sabemos que o período analisado é pequeno (e é mesmo), mas grande séries históricas tem o mesmo resultado consistente (a favor do investimento no índice).
out-performed
Mas a indústria dos fundos ativos ainda é a maior e a mais lucrativa, o trabalho incansável de propaganda, mimos e marketing pesado garante ainda a mais gorda fatia do mercado. Esses fundos ativos detém 60% do volume financeiro nos EUA, e os fundos passivos detém 40%. Agora veja o que aconteceu nos últimos anos:
fund-flows
Como se vê, o pessoal está sacando dinheiro dos fundos ativos e comprando os fundos passivos. E vem crescento muito nos últimos cinco anos conforme a figura mostra:
active-vs-passive-growth
Fonte: MorningStar
E continuo também mostrando os retornos medianos de todos os fundos de ações x os fundos passivos, veja o retorno na última barra a direita, o passivo ficou em 7,41% (anualizado) para o período de 2006-15 enquanto o ativo ficou em 6,2%, ou seja, o fundo passivo foi 1,21% superior em TODOS OS ANOS de 2006-15.
all-active-performance-1
Fonte: S&P
E se você acha que a coisa é assim lá nos EUA apenas, que alguns gestores de outros países podem bater os índices de outros mercados, aí vai a imagem.
excss-returns-by-geography
Fonte: S&P
O número em vermelho mostra a porcentagem dos gestores que falharam em bater o próprio mercado. Considerando o Emerging Markets a coisa é tão feia que 54% ou mais que a metade dos gestores simplesmente não conseguiram bater o mercado, tiveram um resultado pior.
Agora vou colocar aqui as palavras do Damodaran (o qual me baseei pra fazer esse post):
“Suffice to say, no matter what the reasons, active investing, as structured today, is an awful business, with little to show for all the resources that are poured into it. In fact, given how much value is destroyed in this business, the surprise is not that passive investing has encroached on its territory but that active investing stays standing as a viable business.”
E agora especialmente sobre os investidores especiais, ainda nas palavras do Damodaran:
Nenhum subgrupo de investidores parece ser competente para bater o mercado. Sob nenhum tipo de filosofia de investimento (e nem mesmo a do Damodaran, segundo ele mesmo).
The standard defense that most active investors would offer to the critique that they collectively underperform the market is that the collective includes a lot of sub-standard active investors. I have spent a lifetime talking to active investors who contend that the group (hedge funds, value investors, Buffett followers) that they belong to is not part of the collective and that it is the other, less enlightened groups that are responsible for the sorry state of active investing. In fact, they are quick to point to evidence often unearthed by academics looking at past data that stocks with specific characteristics (low PE, low Price to book, high dividend yield or price/earnings momentum) have beaten the market (by generating returns higher than what you would expect on a risk-adjusted basis). Even if you conclude that these findings are right, and they are debatable, you cannot use them to defend active investing, since you can create passive investing vehicles (index funds of just low PE stocks or PBV stocks) that will deliver those excess returns at minimal costs. The question then becomes whether active investing with any investment style beats a passive counterpart with the same style.
Agora vamos ao que eu tenho me pegado mais atenção em especial. Não são os números, não são as porcentagens, é apenas uma coisa que tenho pensado ultimamente: o custo do seu tempo estudando, analisando, comprando, vendendo, lendo relatórios, etc… de empresas…
Eu confesso que quando eu comecei na bovespa há três anos atrás eu demorava pra dormir, pensando onde vou aportar, se coloco 3 mil nessa ou 5 mil naquela, ou os 8 mil que eu tinha naquela outra empresa. Quando eu fazia o aporte que atualizava o Bastter System eu já começava a pensar no do mês seguinte, e essa coisa toda às vezes consome muito nosso tempo e tem que saber lidar com isso, até por que é um mundo totalmente novo, o que pode gerar muita preocupação e certa ansiedade, e cada um se conhece e sabe até onde aperta o calo. Todas essas horas atrapalhando seu sono, impedindo você de ficar com a família ou namorada, ou vendo seriado ou na academia… apenas para bater cabeça com o mercado procurando uma brechinha ou querendo ganhar um pouco mais.
Se fosse pra quantificar essas horas perdidas, quantos reais elas lhe custariam? R$15 reais a hora? R$ 20 reais a hora? Aliás, quanto custa a hora do seu dia? Considerando as horas do trabalho e as demais? Nossa vida é medida em tempo e esse custa um dinheiro. Mesmo as horas de lazer tem um custo (de não ganhar dinheiro ou mesmo descansar de fato). O negócio de verdade é: Até onde vale a pena investir horas e horas nisso? Pensando nessas coisas de investir, em finanças no geral? Lendo blogs? Livros de finanças? Tudo bem que você tem que saber o mínimo e o básico, e só, mas na verdade é só até aí, tem que ser simples, porque a vida é complicada demais, e tem outras coisas melhores pra se fazer.
O investidor amador tem devaneios de que é um bom investidor e ainda mais quando começa a achar que sabe de algo, acha que vai pegar um preço baixo aqui, um PL baixo ali, um P/VPA baixo acolá, acha que vai ver algo que ninguém viu e vai lá comprar num valuation bom (bem ridículo pro dinheiro que ele tem na conta da corretora) e isso nem sempre ou quase sempre nem vai ser um ganho real de fato.
Então na verdade, o post foi um convite para a reflexão, sobre o tempo, sobre os retornos, sobre o investimento do seu tempo pessoal e seu gasto de energia mental no processo todo. Será que não vale a pena se contentar com o retorno do mercado e ir fazer outra coisa mais legal?
Agora tem o outro lado, o do hobby e da alegria de quem gosta de fato de ser um pick stocker ou um gestor de sua própria carteira, se alegra e se anima MESMO com isso. Talvez possa ser o seu caso, cada um tem o seu jeito de investir, acho que você tem que achar o que combina com você e seguir ele. Tem gente muita boa em ações por aqui, em fundos imobiliários e etc… (em RF não né? pera lá…) e que gostam de conhecer mais profundamente e acumular mais conhecimento e que DE FATO se animam muito com isso de forma saudável.
As conclusões que tenho chegado, findando o ano de 2016 são, PARA MIM.
Brasil:
RF é Tesouro Direto.
Ações: Dá pra manter e acompanhar uma carteira de 15-20 empresas esperando bons retornos no longo prazo, estudando o básico de análise fundamentalista (acima da RF, do CDI, do mercado brasileiro e óbvio da inflação).
Fiis: Sendo não mais que 15% da sua carteira total no Brasil e com uns 15-20, preferencia para os maiores e mais diversificados multi-tudo (segue o BS sem precificar ou procurar diamante, e fica em paz, quem tá bom hoje piora amanhã e vice-versa)
Mundo:
ETFs de acumulação passivos e gigantescos baseados na Irlanda, tais quais o SWDA, o CSPX, CPXJ.
Diversificar pouco em ETFs de reits e bond (não mais que 20% da carteira total do mundo), de preferência com baixo ou zero yield e taxa muito baixa de adm.
Pode parecer pouco ou muito pra você, mas esse basicão aí já dá uns 50 ativos no mínimo. É muita coisa pra se preocupar, depois você vai vendo como fazer. Eu já me acostumei.
Grande abraço,
Frugal.
NÃO É E NEM FOI RECOMENDAÇÃO DE COMPRA.

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