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quinta-feira, 23 de março de 2017

O que você tem, o que você é, o que você faz.

Existem essas três coisas na nossa vida que têm que ser explicadas e separadas. É um erro misturar as três coisas e achar que são a mesma coisa quando na verdade não são. Algumas pessoas passam a se definir pelo que fazem ou pelo que tem, e não pelo que são. E isso traz consequências muito graves na vida. Explico melhor.
O QUE VOCÊ TEM
Você tem uma casa, uma moto, um carro, uma coleção de relógios ou livros, você tem uma casa na praia, você tem 10 mil ações do Itaú, 500 mil reais no Tesouro Direto. São COISAS, são papéis, são propriedades. Isso são coisas que você POSSUI.
Você APENAS possui essas coisas. Elas não definem você. Elas não são o que você é. Um dia ou outro elas podem sair do seu poder, e você será a mesma pessoa. Essas coisas não possuem você, você não é elas e elas não são você.
Você tem um terreno na praia. O que isso mudaria na sua personalidade? A rigor não era pra mudar nada, pelo menos não numa mente evoluída.
Você tem 5 milhões de reais em cabeças de gado e fazendo. Isso é apenas uma posse. Isso não entra na sua alma, na sua personalidade, no modo como você se relaciona com sua família e amigos, na sua história com o seu passado.
Eu tenho 900 mil em ações, isso não muda nada em mim, eu não sou o que eu tenho. O que você tem não é você, não define você. Pessoas não são coisas nem propriedades.
Você não é o seu patrimônio ou as suas dívidas.
Você não é o financiamento do seu carro ou do seu apartamento.
O QUE VOCÊ FAZ
Você trabalha como médico, dentista, engenheiro, piloto de avião, mergulhador, policial, advogado, contador… isso não é o senso comum.
O senso comum é: vocé É médico, você É advogado, você É ARQUITETO.
Então ninguém vê mais VOCÊ – as pessoas vêem um advogado bebendo, um médico bebendo, um arquiteto tocando guitarra, um piloto de avião dançando forró….
Outro erro. Você não é a sua profissão. Você trabalha na sua profissão. Você é você, a sua profissão é a sua profissão,  e inclusive você pode mudar dela, ir trabalhar em outra coisa, e será a mesma pessoa.
Você não é médico, você TRABALHA como médico.
Você não é advogado, você TRABALHA como advogado e por aí vai.
E porque você tem que diferenciar isso?
Por que a sua profissão não é a sua vida, não é você, é apenas um meio que você arranjou para ganhar dinheiro, trabalhar e ser remunerado. Quando uma pessoa ou a mídia atacar os policiais e você for policial, você pode se sentir mal, as pessoas podem julgar mal a sua profissão e até mesmo o seu caráter por pertencer àquela profissão.
Sem contar que se você se confundir com sua profissão vai ficar muito mal se um dia ficar desempregado, ou mal remunerado ou ela simplesmente deixar de existir. Imagine que você vivia há 30 anos atrás e você era um DATILÓGRAFO. A profissão simplesmente sumiu, e você, deveria sumir também? Todos os anos algumas profissões somem e outras renascem. Se a sua profissão sumir um dia e você achar que é ela, vai ficar em maus lençóis.
Outra coisa, que até é desagradável, é o indivíduo só falar da sua profissão o dia todo, ficar falando do seu trabalho, inclusive com outras pessoas que nem são da mesma área ou familiares e outros amigos, ficar falando do seu trabalho o tempo todo, em outros ambientes e com pessoas que não estão nem aí é totalmente desagradável.
Às vezes eu fico tão apático com pessoas da minha profissão que falam nela o tempo todo que descaradamente mudo o assunto de forma bem honesta:
E as próximas férias?
E a família vai bem?
Está lendo qual livro?
Tem algum show pra ir em mente?
Enfim falo coisas bem genéricas para desviar do assunto.
O QUE VOCÊ É
Bem, aqui é a parte mais profunda da coisa toda.
Você tem certas coisas (dívidas + ativos). Apenas.
Você TRABALHA em tal área, em tal profissão, mas ISSO não define você, ou pelo menos não deveria definir.
Você é uma pessoa, um ser humano, feito de sua própria história, da história dos seus pais, dos seus avós e dos seus antepassados, você é o resultado da sua criação, das suas experiências da infância, da sua juventude, das músicas que escutou, dos livros que leu, das comidas que comeu, das idéias que viu e produziu, dos lugares que viajou, dos filmes que viu, das pessoas com quem conversou, dos sonhos, erros e acertos que produziu, da sua vida escolar, dos seus relacionamentos com amigos, familiares e pares românticos dos seus estudos, dos trabalhos que já fez, das decisões que tomou, do passado que teve e do futuro que espera.
Não se defina pelo que tem, é muita pobreza de caráter.
Não se defina pela sua profissão ou pela forma como faz para ganhar dinheiro, isso pode mudar e muito.
Defina-se pelo que você de fato é.
E mais importante, não se deixe definir por outras pessoas na sua frente pelo que você tem ou pelo que você faz. Não permita que as pessoas confundam você com sua profissão ou com suas dívidas ou seu patrimônio, isso pode destruir você e/ou sua relação com essas pessoas.
Também procure observar o que as pessoas com quem você se relaciona SÃO de fato, e não o que elas têm (possuem) ou o que elas fazem, isso é um erro grave e você tem que observar isso sempre.
Grande abraço,
Frugal.

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