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domingo, 19 de março de 2017

Como diversificar na Renda Fixa

Embora eu tenha muitas reservas em relação à RF me sinto compelido a diversificar um pouco de meus investimentos nesta classe de investimentos. Por um princípio básico de diversificação de ativos entre diversas categorias, proteção contra ignorância e para aumentar o índice de Sharpe.
Meus primeiros dois anos de salários e investimentos foram precedidos pela compra e quitação do meu imóvel simples para moradia apenas após isso comecei a investir na bolsa e ainda estou 100% em ações.
Como a minha carteira já chegou num valor muito alto, a volatilidade (na bovespa) também é alta, então ver a carteira diminuir quase R$100.000,00 num único mês não é nada agradável, embora as empresas sejam de qualidade, o fato é que se eu estivesse comprando renda fixa juntamente com ações teria um patrimônio maior agora pois parte dessa estaria em renda fixa e também em fundo imobiliário.
Investir em qualquer coisa também é arriscar, mesmo que o risco seja mínimo ele existe, inclusive na poupança. Vamos esclarecer algumas coisas:
 A Renda Fixa não tem lastro.
É isso mesmo, é dinheiro por dinheiro. Não existe ativo real na RF. Você está emprestando dinheiro para intermediários, que vão fazer alguma coisa e vão lhe pagar em dinheiro.
Não importa se vão plantar algodão, construir imóveis, emprestar o seu dinheiro pra outras pessoas e cobrar mais caro por ele ou se vão entupir as pessoas de impostos.
O seu único retorno na RF é apenas o dinheiro. Essas coisas dadas supostamente dadas em lastro não são tão confiáveis assim. O FGC tão falado é lindo na teoria, na prática você pode esperar muitos meses para receber o seu dinheiro e se receber, e conhecendo bem como é a justiça do Brasil já sabe né? Você acha que vai ganhar de um banqueiro? Ou do governo? E imagine que grandes fundos evaporem, cataclisma, crises, etc…?
O FGC é um fundo e toda vez vez que você ler a palavra “fundo” em algum canto saiba que ele tem um fim. O FGC tem um fim, eu não pesquisei mas como saber se o FGC tem dinheiro pra cobrir TODAS as aplicações de RF? E se ocorrer uma corrida aos bancos? Ou uma guerra? Eu imagino que o FGC não tenha capacidade de cobrir tudo. Simples.
Nos Estados Unidos e na Europa a renda fixa é horrível, em alguns países a rentabilidade é negativa e as pessoas investem nisso sabendo disso mesmo assim, apenas pela segurança de não deixar seu dinheiro em casa, no caso de deixar nos bancos eles também cobram custódia (na Europa a inflação é muito baixa e isso ajuda).
Em países emergentes como Brasil, Turquia, Bulgária, Venezuela, Peru entre outros, a RF paga uma taxa de juros mais alta, porém a inflação também é alta (a oficial – que por vezes é fraudulenta) e mesmo assim o valor intrínseco do dinheiro também cai nesses países populistas e de moeda podre, e que inclusive por sua instabilidade política e social o cenário pode degringolar feio vide Argentina e Venezuela, onde as moedas quase desapareceram, pior ainda na Venezuela.
Sa inflação do Brasil é 10% a.a e o título paga 5% líquido, então dá 15% líquido a.a ou um pouco menos, de ganho real você vai ter uns 4-5% a.a não se iluda. Nos EUA o ganho real fica entre 3-4% também, já que a inflação lá está em 2-3% a.a, então veja que não existe promoção na renda fixa do Brasil, numa renda fixa com inflação alta ninguém ganha nada, o que importa são os juros reais.
Nos anos 90 a Venezuela estava entre os 20 países mais ricos do mundo. Pagando bem na RF. Se você fosse um investidor venezuelano, naquela época comprando um título venezuelano de 25 anos de duração, como seria a sensação de ver o seu dinheiro virar pó? Alguma coisa garante que o Brasil vai ficar sensacional até 2035 ou 2050? Vimos que bastam dois mandatos de presidentes populistas para afundar uma economia e que demora uns 15 anos pra recuperar. O dinheiro não aceita desaforo.
Ficar rico na renda fixa? Já vi muito isso por aí na blogosfera. Na hora de simular é lindo, é só colocar tudo no excel e pronto, mas o mundo real não é uma planilha de excel. O mundo real é uma guerra diária e brutal pela sobrevivência, e no Brasil mais ainda, com números de guerra civil, saúde e educação de quinto mundo. Tenho meu pé atrás.
O Tesouro Direto.
Mais de 600.000 brasileiros estão emprestando dinheiro para o governo federal neste momento através do tesouro direto. Embora o número seja grande o volume de dinheiro para essas pessoas representa menos de 1% da dívida do governo, é um dado interessante, seria muito difícil um calote de fato em cima desse pessoal, o calote mais provável seria o monetário e não o financeiro. O calote monetário se daria por hiperinflação o que faria a rentabilidade real dos títulos desabar.
Vejam que quanto maior a inflação, PIOR a rentabilidade real dos títulos, pois o governo considera a inflação o seu lucro lhe taxa em 15% sobre isso (a partir de 720 dias).
Bem reposição de inflação não é lucro e isso nós sabemos. Então porque o governo te taxa? Porque é da natureza dele taxar tudo e roubar o povo através de impostos, isso acontece desde o Egito, desde a Mesopotâmia ou Roma antiga.
Se você tem R$100.000,00 e a inflação é 10% a.a e o título paga 5% de juros ao ano temos o seguinte, após 1 ano.
Por auto você ganharia R$5000,00 + R$10.000,00 da inflação = R$ 15mil. Só que o governo não taxa apenas os R$5mil dos juros, ele vai taxar os R$15mil, o que é uma tremenda sacanagem, essa é uma das coisas que me deixa puto.
Não é novidade pra ninguém que o mais racional na compra dos títulos é comprar os títulos IPCA+ principal com o maior prazo possível. Esses são os títulos à disposição na venda hoje:
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Fazendo uma simulação simples:
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Dez mil reais hoje, investidos nesse título me dariam R$ 150.199 em valores de hoje, em 2035, nada mal não é?
Desses eu gosto mais do IPCA+ 2035 principal, IPCA+ 2024 principal, IPCA+ 2050 com cupom e a boa e velha LFT rendendo SELIC para ajudar na reserva de emergência ou para aproveitar alguma oportunidade no mercado imobiliário [isso quando o volume estiver muito grande] (também tenho um pouco na poupança).
Essa é o que eu chamo de Estratégia de Vencimentos Múltiplos, e eu a aprendi  lendo um livro de filosofia de investimentos (não me lembro no momento). Claro que você pode concentrar sua estratégia numa coisa só e dar um belo tiro de canhão, do tipo, “vou me aposentar em 2035” então vou comprar tudo pra essa data. Bem, ok, se der certo pra você. Veja que o preço para venda desses títulos pode variar bastante e inclusive a rentabilidade cair muito, pois são bem voláteis, e no caso extremo de você precisar vender antes do tempo vai ter um prejuízo grande.
Outra coisa, você vai ter que sobreviver até 2035 para ver a cor do dinheiro, se você morrer em 2030 nunca verá a cor do dinheiro, mas se tivesse comprado 50% em títulos vencendo em 2024 poderia ter vivido um pouco melhor por seis anos ou viajado mais, enfim aproveitando parte de seus ganhos, o mesmo raciocínio se aplica para os títulos de 2050 com cupons (que você vai receber todo semestre) e quando chegar na data ganha o principal (eu vou estar com 65 anos nessa data) e seria interessante receber uma quantia legal para ajudar na minha aposentadoria.
Existem debêntures, LCI/LCA, CRI, CRA, Fundos imobiliários de papel (que na verdade são um tipo de renda fixa com fluxo de caixa mensal) e de infra-estrutura que você pode comprar vários deles também e com prazos menores de 3-5 anos diferentes, lembrando que vai ter um maior giro de dinheiro e vai pagar mais impostos (nos que cobram) e pagando impostos você demora mais pra ficar rico.
Posso falar um pouco sobre eles depois, mas o core desse post é que é prudente diversificar entre diversos produtos e vencimentos dentro da renda fixa.
Lembre-se que tudo isto é sem lastro e está em R$ (REAIS) e isto sim tem um risco que no longo prazo você poderia considerar.
Agora vamos falar do EMB. Quando eu abrir a minha conta em corretora estrangeira este ETF está na minha lista de compras para diversificar em renda fixa no exterior, aqui eles chamam renda fixa ou debentures de BONDS.
O EMB é um ETF de renda fixa que é administrado pelo JP Morgan. Ele compra dezenas de papéis de renda fixa de governos de países emergentes e empacota num produto só e vende na bolsa de valores de NY cobrando uma taxa de 0,4% a.a em cima do valor do fundo, uma taxa um pouco alta, mas para fins de diversificação acho que tá valendo.
O EMB dá, em dólar, um yield de 4% a.a, considerando o mercado americano, é uma taxa alta, lembrando que isso será taxado em 27,5% do Imposto de Renda do Brasil. A vantagem de investir nisso é estar diversificado em dívidas em diversas moedas e governos, tais como Rússia, Argentina, Polônia, Romênia, Bulgária, Peru, Costa do Marfim entre outras. Na última coluna da tabela vocês podem ver o cupom que o governo desses países paga por cada título. Essa foi a rentabilidade do papel EMB de dezembro de 2007 até agora, lembrando que existem 4% a.a pagos em dividendos:
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Aqui abaixo é a carteira do EMB, veja quantos países, moedas e taxas de cupons diferentes tem dentro dele. O EMB vai servir para a parte de bonds na minha carteira de ativos no exterior.
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Também existem BONDS do governo americano de longo prazo que são interessantes para quem pensa em complementar a aposentadoria em dólar.
Veja que parece que é muita coisa, mas na verdade é bem simples, e o horizonte de investimentos é para o longo prazo e para não ficar mexendo muito na carteira de uma forma bem tranquila, pragmática e automática. Uma carteira dessas com dezenas de ativos se constrói num horizonte bem longo de pelo menos uns 10 anos até ir conhecendo tudo e aprofundando o conhecimento.
Dessa forma planejo ficar investido em renda fixa em real (principalmente), dólar (segundo lugar) e demais moedas de países emergentes. A minha posição em moedas européias ou asiáticas ficará em ações dessas mas isso é para outro post.
Resumindo, estude diversificar seus investimentos na renda fixa no Brasil em vários ativos da renda fixa, de preferência o Tesouro Direto, em diferentes títulos, preferência o IPCA+ principal e com prazo longo.
Faça sua reserva de emergência primeiro (inclua na sua reserva de emergência um valor alto para gastar com saúde, uma cirurgia particular ou uma internação prolongada em UTI por exemplos, uma doença num familiar seu que não tem plano de saúde e talvez alguém venha lhe pedir dinheiro – fora pelo menos mais 12 meses de contas pagas, quanto mais melhor). Essa reserva de emergência pode ficar parte na poupança e parte na LFT se ela for muito grande.
Além de diversificar na renda fixa do Brasil você precisa proteger seu patrimônio em moedas e ativos no exterior, montando uma carteira de ações e renda fixa no exterior também (não fique 100% em ações no exterior). Existem ativos de RF no exterior como o EMB o qual mostrei aqui e os próprios títulos do Tesouro Americano. Títulos de renda fixa de governos da Europa Ocidental (mais rica) pagam muito pouco e a meu ver não valem a pena.
Esse mês comprei 300 acões de BB Seguridade (BBSE3) e no próximo aporte vou comprar um pouco do Tesouro IPCA+ 2035 principal para começar devagar na Renda Fixa. Vivendo e aprendendo.
Grande abraço,
Frugal

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