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domingo, 19 de março de 2017

A grande jogada - Michael Lewis - Revisão de Livro

O livro é narrado por um observador externo nos anos antes da crise do subprime de 2008 que derrubou as bolsas e a economia mundo afora falindo bancos, deixando vários países em crise e todo o sistema financeiro desacreditado.

Certamente foi o maior evento catastrófico financeiro que o mundo viveu nos últimos 30 anos. O autor lhe coloca frente a frente com uma dúzia de personagens viscerais da crise, banqueiros de Wall Street, executivos, corretores de títulos e gestores de fundos de Hedge. O livro é totalmente eletrizante, prende a sua atenção na narrativa, é um verdadeiro thriller de uma locomotiva desembestada pegando fogo indo diretamente para o penhasco com todo mundo dentro e bilhões e bilhões de dólares dentro.

Não tem como não se prender. O que mais chama atenção é que no começo, um médico blogueiro que escreve em seu blog nas madrugadas e chama certa atenção dos internautas e de banqueiros poderosos. O cara é apenas um residente de neurologia na Califórnia e previu em primeira mão o desastre nas hipotecas que iria acontecer apenas cinco anos depois.

Isso ilustra o quanto somos poderosos em casa, apenas com um computador e internet podemos aprender basicamente qualquer coisa no mundo, desde como construir uma arma de fogo caseira, uma bomba feita com detergente ou como ler coisas no sistema financeiro que nem mesmo quem está imerso no sistema enxerga, nem mesmo um CEO de um JP Morgan ou do Merryl Linch.

O livro não exalta o mundo de Wall Street, muito pelo contrário, é uma dissecção viva, mostra toda a ineficiência, a corrupção, a incompetência e a falta de transparência e organização dentro do DNA da máquina dos maiores bancos do mundo, ao ponto de um CEO do Lehman Brothers não saber as posições do banco em um certo produto ou nem mesmo saber de que o produto se trata.

Um sistema onde um executivo de um banco cria uma divisão inteira dentro de um banco, dá um prejuízo bilionário ao mesmo e ainda sai com dezenas de milhões de dólares no bolso.
São pessoas imperfeitas num mundo imperfeito e desregulamentado, onde engrenagens gigantescas giram sem controle algum, de ninguém, onde se chega aos mais altos níveis do setor e percebe-se que ninguém está sabendo do que está acontecendo e nem do que vai acontecer.

Você vê altos gestores montando posições monstruosas em produtos, apostando no mesmo, quando todo mundo está apostando contra ele, e ele mesmo acha que está também apostando contra, enfim é uma loucura total, a insanidade coletiva e individual pulula em Wall Street, o que é bom para desmistificar muita coisa desses fodões de terno que andam pra lá e pra cá administrando trilhões de ativos bancários e mesmo assim não fazem a mínima idéia do que fazem, estão num cargo por pura sorte mais habilidade social e um network construído nas mais altas faculdades de finanças dos EUA.

Uma coisa é certa, temos que aprender a administrar nosso dinheiro e parar de acreditar nos profissionais do mercado financeiro, em analistas, em banqueiros, em corretores em bancos e em tudo, o seu nível de ceticismo tem que ser 100%, esse livro é um banho de água fria, não existem gênios ali, existem pessoas lutando por bônus polpudos e em espoliar as próprias empresas que os contratam, as próprias empresas em si são tão gigantescas que não tem um dono, se der prejuízo ninguém dá a mínima, pode-se apostar o que puder na mesa, que o governo no final vem e cobre, era pra crise ter varrido pelo menos umas duas dezenas de empresas e bancos de Wall Street, mas foram salvos com o dinheiro do pagador de impostos dos EUA, enquanto os atores principais do cataclisma financeiro saíram todos milionários, sejam eles vencedores ou perdedores, inclusive os vencedores não passavam de meia dúzia de pessoas inteligentes e revoltadas com o sistema e que foram violentamente refutadas e ignoradas o tempo todo virando patinhos-feio do mercado.

Só no final é que foram salvos em suas posições vencedoras e ganharam seus merecidos milhões. Pra mim ficou muito claro que Wall Street é um castelo de cartas, um palácio de cristal que pode se quebrar a qualquer hora e destruir milhões de acionistas minoritários num dia e tornar super-ricos os piores vilões do planeta.

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Essa é a capa do livro. Ainda não vi o filme mas vou ver. Pensei em fazer várias coisas o fim de semana todo, mas não fiz nada tamanha foi a minha devoção a essa leitura. E fiz esse post agora exatamente na hora que terminei o livro. Recomendo a leitura para entretenimento e investigação histórica sobre os fatos da época.

Abraços,
Frugal

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