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domingo, 19 de março de 2017

A depreciação das coisas da vida

Eu estava aqui lendo os balanços contábeis de algumas empresas e sempre via o valor de “depreciação” dos bens da empresa e isso entrando nos custos e consumindo algum dinheiro. É impressionante, você constrói a sua fábrica, terreno, galpão, maquinário, faz estacionamento, guarita, pinta muro e faz todos os acabamentos internos e a partir daquele momento ali da inauguração alguma coisa já está ficando velha, se degradando, precisando de manutenção futura, sofrendo intempéries da ação do sol e das chuvas, depredação de vândalos e funcionários, automóveis também e dentre outras coisas.
Eu como profissional liberal e também sócio de uma pequena empresa de serviços venho notando essas coisas e tentando fazer um paralelo da vida de uma PJ para a vida de uma PF. Até os 27 anos eu nunca tive uma PJ e nunca tiveram na minha família, mas é uma coisa muito diferente, com conta em banco, contador, boletos mensais, “certidão de nascimento”, alguns números de registro e o famoso CNPJ, além do “alvará” que a prefeitura cobra todo ano (o alvará é um carnê no mesmo formato do IPTU – sim, o alvará é um imposto que você paga pra sua PJ existir). Então basicamente abri a PJ do nada e sozinho e sem muito conhecimento do que seria isso, é uma coisa bem diferente mesmo, só sabe quem tem, inclusive conta em banco exclusiva pra PJ e gerente também, além do cartão.
Pois bem, vamos lá, eu me vejo um pouco como PJ na minha PF, pois tento empreender dentro do meu trabalho, aportando muito (crescimento), pagando poucos dividendos (para mim mesmo), reinvestindo em mim (aumento da carteira) e trabalhando duro para crescer o mais rápido possível. Hoje então comecei a pensar na minha “depreciação”. Depreciação da própria PF e o dinheiro que custaria essa depreciação, que no caso a idéia é de manutenção da vida da PF de como está, o que significa todos os custos fixos + despesas futuras e a depreciação em si do patrimônio físico (imóvel + carro). Não tenho noção de como os caras calculam a depreciação das PJs com grandes patrimônios, talvez eles coloquem um valor mensal que dê pra ir trocando todas as coisas que quebrarem, somando à manutenção realizada e mais os reparos futuros (fazendo algo como se fosse um “seguro interno”). A gente paga tanto seguro para seguradoras mas não pagamos para nós mesmos. Na verdade a idéia desse post, e coisa que nunca vi em livro e nem na blogosfera é que estou pensando em pagar um SEGURO PARA MIM MESMO. Doido não é? Vou explicar.
Eu já tenho seguro do carro, de acidentes pessoais e de responsabilidade civil, são 3 e dá uns 6k por ano de despesa juntando esses 3 seguros, se for somar o plano de saúde (que também considero como um seguro vai dar mais 6k anual, total 12k anual). Ou seja, em média meu custo fixo com seguros é de 1k mensal, nada mal até pois isso dá pouco menos de 5% da minha renda então dá pra levar por enquanto. E o seguro que quero pagar pra mim? É como se fosse uma provisão para despesas futuras esperadas e inesperadas, algo POR FORA da reserva de emergência, pois a RE vai servir para emergência, desemprego, imprevisto ou algo do tipo, o dinheiro do meu próprio seguro não, ele vai servir para uma futura troca de carro (não pretendo pelos próximos 5 anos), uma mudança de cidade (provável nos próximos 5 anos), uma nova mobília de AP (se eu me mudar), e também incluiria depreciação de móveis, celular, computador e etc. Ou seja é apenas um dinheiro que vou “dar nome” para trocar, reparar, comprar coisas novas e pagar despesas mais ou menos não recorrentes como essa que falei.
O bom é que se eu for juntando posso ganhar no financeiro disso, por exemplo, se daqui a 5 anos eu quiser comprar um carro de 50k posso retirar parte desse dinheiro desse meu dinheiro do meu “seguro próprio” que já estaria rentabilizando desde já, é como se fosse um consórcio ao contrário, em que eu pago para mim mesmo uma despesa futura, mas que no caso é imprevista e não vai ser uma emergência, além de poder auxiliar em caso de tratamento médico ou odontológico mais complexo (certa feita gastei 6k pra fazer um implante de dente + canal + consulta e exames, é caro porque foi com um dentista bucomaxilo que cobram mais caro e é tudo particular).
Então basicamente é isso, vou começar essa pequena reserva para essas coisas de manutenção e despesas futuras para não mexer nos aportes, nem vender nada do patrimônio e ficar ainda mais tranquilo. Também tenho que gastar um dinheiro com dentista esse ano (faz uns dois anos que não gasto) e vou no do SESI mesmo, é bom, barato, confiável (materiais, esterilização e é tudo aparentemente limpinho). Fora a depreciação das coisas da casa né que vez ou outra precisa trocar ou comprar um novo, ou quebra e você gasta pra consertar.
Não sei se isso já tem um nome mais específico ou se já existe e estou achando que inventei algo novo, mas esse post eu fiz depois de ter um insight, já tive alguns e anotei o tópico no celular para postar depois. A idéia mais simples é a seguinte: separe um pouco de dinheiro todo mês apenas para manter o que você já tem, porque depois de qualquer coisa comprada ela vai dar despesa, quanto mais coisas você tiver, mais despesas vai ter, e é bom estar preparado pra elas.
Abraços,
Frugal.

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